A denúncia foi feita hoje na cidade da Praia em conferência de imprensa por Vladimir Silves Ferreira, porta-voz dos cinco principais grupos de Carnaval na capital do país, designadamente Vindos do Mar, Estrela da Marinha, Vindos d’Africa, Samba Jó e Intervila, na sequência do anúncio do edital de financiamento do Carnaval, por parte do Ministério da Cultura e Indústrias Criativas (MCIC).

Ao todo são 11.500 contos disponibilizados pelo ministério, sendo 7.200 contos para cinco grupos de São Vicente e três de São Nicolau e os 4.300 para camaras municipais que vão apoiar os grupos de animação, escolas e jardins infantis das outras ilhas.

Segundo Vladimir Silves, que é representante do grupo Vindos do Mar, os apoios aos grupos das duas ilhas foram com base em critérios pouco claros e em clara discriminação e desrespeito a todos aqueles que se dedicam ao Carnaval nas restantes regiões do país.

No dizer deste representante, caso o Ministério da Cultura e Indústrias Criativas não reconsiderar o edital e a Cidade da Praia não vier a ter Carnaval, a responsabilidade vai ser exclusivamente deste ministério e não dos grupos carnavalescos.

Apesar de reconhecer as “fragilidade e dificuldades” do Carnaval da Praia, acrescentou que a responsabilidade do Governo é ajudá-los a melhorar quer em termos de formações, mobilizações, articulações com instituições e infraestruturas para preparação do desfile.

No entender deste responsável, o Governo deve ser parceiro, mas “nunca criar uma elite de Carnaval de primeira numa região e de segunda noutra região do país”.

“Praia não aceita ser considerado como Carnaval de segunda, por respeito aos mais de 50 mil munícipes que todos os anos invadem a Avenida Cidade Lisboa e por respeito aos cidadãos deste país e aos grupos carnavalescos da capital do país”, avisou.

Em relação ao concurso em si, afirmou que “nunca” os grupos da capital foram convidados a apresentarem projectos e que nem sabiam do edital que não foi disponibilizado nem nos jornais, sites do ministério ou outros meios de visibilidade para os grupos.

Vladimir Silves Ferreira informou ainda que quando tomaram conhecimento do edital recorreram ao Ministério da Cultura que lhes informou que o concurso era destinado apenas às ilhas de São Vicente e São Nicolau.

Questionado se os grupos da cidade da Praia reúnem condições em relação aos critérios do concurso que exigia documentos de constituição dos grupos, conta bancária, prestação de contas, pagamento das suas quotas, sinopse do desfile e histórico dos três últimos desfiles, disse que com anuncio prévio de um ano com certeza que os grupos estariam em condições.

Por seu turno os outros responsáveis presentes na conferência de imprensa, Maria Antónia Cruz (Vindos de África), António Dias (Estrela da Marinha) e José Fernandes (Intervila) lamentaram a “passividade” da edilidade em relação aos apoios referentes ao Carnaval que têm chegado sempre tarde, isto é, só depois de 13 de Janeiro.

Afirmaram ainda que apesar de os apoios terem estado a chegar sempre atrasados, a preparação para o Carnaval começa desde Setembro com os projectos feitos, mas que sem apoios ficam “comprometidos”.

Segundo indicaram, ainda estão com um montante de 100 contos pendente no Ministério da Cultura, que vem do anterior desfile, assim como muitos prémios que foram prometidos pelos parceiros da câmara e da própria edilidade.

Refutando as críticas sobre a não apresentação de justificativos, os grupos afiançaram que têm estado a justificar todos os anos as verbas disponibilizadas com relatórios que estão registados tanto na Câmara Municipal como no Ministério da Cultura.

Por fim, os representantes dos grupos lamentaram ainda a extinção do Fórum de Carnaval que se realizava todos os anos e que servia de palco indicado para colocação de todos os assuntos em cima da mesa para discussão.

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