Os grupos carnavalescos da Praia ainda não descartaram a possibilidade de não desfilarem este ano, em oposição à decisão do Ministério da Cultura em financiar apenas os grupos das ilhas de São Vicente e São Nicolau.

A informação foi avançada, hoje na Cidade da Praia, aos jornalistas pelo porta-voz do coletivo dos grupos carnavalescos da Praia, Vladimir Silves Ferreira, à saída de um encontro com o edil praiense, Óscar Santos, em que o grupo pretendia ouvir o posicionamento do autarca a propósito do anúncio do edital de financiamento do Carnaval, por parte do Ministério da Cultura.

Conforme o edital, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC) financia apenas os grupos de São Vicente e São Nicolau no valor de 7.200 contos.

Segundo Vladimir Silves Ferreira, que é representante do grupo Vindos do Mar, tiveram um “bom dialogo” com a câmara municipal e saíram “muito agradados” com tudo que ouviram do presidente.

Informou ainda que a decisão final sairá de uma segunda reunião, agendada para esta sexta-feira com a vereadora da Cultura, onde serão analisados com “mais detalhes” vários aspetos e também será “mais conclusiva”.

“O que nós podemos garantir é que da parte da câmara sentimos uma grande abertura e uma grande disponibilidade, algo que nós também esperamos sentir da parte do Ministério da Cultura.

Nós não podemos admitir que num país democrático que haja movimentos da sociedade civil com tratamentos desiguais”, afiançou.

De acordo com o porta-voz do coletivo, ainda tudo está sobre a mesa, isto é, a decisão de desfilarem ou não este ano ainda vai depender das negociações com a câmara, que espera que vão ser “positivas” e também com o Ministério da Cultura.
Por seu turno a vereadora da Cultura, Débora Sanches avançou que o Orçamento foi aprovado recentemente e prevê o montante de 5.500 contos para o financiamento do Carnaval,englobando grupos oficias, jardins infantis e escolas do EBI.

Os 5.500 contos serão devidos de acordo com um regulamento, que vai levar em conta as pontuações dos grupos dos anos anterior.

“O que posso garantir é que há total abertura por parte da câmara em trabalhar com os grupos, porque nós sabemos que o nosso Carnaval independentemente das várias leituras que possam ser feitas, ela tem melhorada ano após anos”, precisou.

No dizer da vereadora, o Carnaval tem sido uma “aposta forte” da edilidade, sobretudo para presentear os praienses e cada munícipe que vai à avenida com um “espetáculo de qualidade”.

Em relação às declarações do ministro da Cultura, Abraão Vivente, disse que na altura não estava no país e por isso escusou-se a comentar.
Concernente ao edital, garantiu que não tiveram acesso ao mesmo, adiantando que com base nas reações dos grupos, já abordaram o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas e estão a aguardar o encontro com o ministro e que só depois disso vão pronunciar sobre a matéria.

“Evidentemente que queremos um tratamento não diferenciado, mas pelo menos um tratamento justo e equilibrado, porque os grupos todos independentemente de serem de São Nicolau ou de São Vicente, se empenham para darem o máximo de si no dia de Carnaval. Acredito que aqui na Cidade da Praia a nossa qualidade tem vindo a melhorar significativamente”, enfatizou.

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