A decisão foi anunciada hoje pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através de um comunicado de imprensa, para responder à revindicação dos grupos carnavalescos da Praia em conferência de imprensa esta terça-feira, 13, conduzida pelo porta-voz dos cinco principais grupos de Carnaval na capital do país, Vladimir Silves Ferreira.

“Os grupos podem e devem manifestar a sua opinião, que é legítima, mas isso não alterará essa decisão que é política”, lê-se no comunicado, reiterando que pela primeira vez teve dois editais para o financiamento do Carnaval, ambos publicados nos jornais e divulgados em “todos os órgãos de comunicação do país”, para além de serem feitas através do canal institucional do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas.

Segundo o Executivo, no edital 01/2016 de 08 de Agosto, o referido ministério fez uma “distinção clara e positiva” em relação a Mindelo (São Vicente) e Ribeira Brava (São Nicolau), porque as duas ilhas investem no Carnaval como marca turística, lembrando que uma das medidas políticas do Governo é “incentivar” o Carnaval.

Com isso, de acordo com a mesma fonte, o Governo quer proporcionar a distribuição da renda e estimular os grupos de Carnaval a melhorar a sua participação nos desfiles e poder apresentar um produto final “consumível” como marca turística.

“O Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas não desmereceu os outros grupos, porque lançou o edita 2/2016 de 08 de Agosto, destinado às entidades locais, que saberão como gerir o subsídio. Não tivemos adesão das câmaras no segundo edital, por razões várias”, explicou.

Na conferência de imprensa de terça-feira, os grupos carnavalescos da Praia (Vindos do Mar, Estrela da Marinha, Vindos d’Africa, Samba Jó e Intervila) mostraram-se zangados com o Ministério da Cultura e consideraram “injustiça e falta de sensibilidade” a atribuição de 7.200 contos apenas aos grupos de São Vicente e São Nicolau.

Conforme o porta-voz, ao todo são 11.500 contos disponibilizados pelo ministério, sendo 7.200 contos para cinco grupos de São Vicente e três de São Nicolau e os 4.300 para câmaras municipais que vão apoiar os grupos de animação, escolas e jardins infantis das outras ilhas.

Segundo Vladimir Silves, que é representante do grupo Vindos do Mar, os apoios aos grupos das duas ilhas foram com base em critérios “pouco claros e em clara discriminação e desrespeito” a todos aqueles que se dedicam ao Carnaval nas restantes regiões do país.

No entender desse representante, caso o Ministério da Cultura e Indústrias Criativas não reconsiderar o edital e a Cidade da Praia não vier a ter Carnaval, a responsabilidade vai ser exclusivamente deste ministério e não dos grupos carnavalescos.

Apesar de reconhecer as “fragilidade e dificuldades” do Carnaval da Praia, acrescentou que a responsabilidade do Governo é ajudá-los a melhorar, quer em termos de formações, mobilizações e articulações com instituições, como em termos de infraestruturas para preparação do desfile, mas também deve ser parceiro e “nunca criar uma elite de Carnaval de primeira numa região e de segunda noutra região do país”.

“Praia não aceita ser considerado como Carnaval de segunda, por respeito aos mais de 50 mil munícipes que todos os anos invadem a Avenida Cidade Lisboa e por respeito aos cidadãos deste país e aos grupos carnavalescos da capital do país”, avisou.