George Tavares começou a compor nos anos 1990, na ilha do Maio, mas o sucesso veio com a sua mudança para a cidade da Praia. “Vivo na ilha de Santiago há 12 anos, mas as solicitações para escrever músicas de carnaval começaram a surgir há cinco anos, através das escolas do EBI. Sempre tive tendência para escrever temas infantis”, conta.

O artista maiense começou por compor músicas para a Escola SOS, tendo conquistado, por três anos consecutivos, o prémio de Melhor Compositor do Carnaval da Praia. A Escola do Lavadouro e instituições de ensino na ilha do Maio e do Sal, os grupos Batucassamba e Acarinhar também já desfilaram ao som das músicas do compositor.

Este ano, são cinco os grupos que vão levar a música de George Tavares para as ruas. O grupo do BCA Batucassamba, Escola SOS, duas escolas do EBI da ilha do Maio e uma do Sal, ilha onde o compositor já recebeu um prêmio de melhor música.

Segundo George Tavares compor músicas carnavalescas é um processo difícil, mas, ao mesmo tempo, gratificante. “É preciso ter força, porque o Carnaval na Praia é um enorme fracasso…ainda não está enraizado na capital, é igual ao Funaná no Mindelo. Mas tem um embrião forte, que são as escolas do EBI, e as entidades deviam apostar mais nelas”, frisou.

“De uma forma geral, o Carnaval em Cabo Verde já teve seus momentos altos. Essa fragilidade que aparece no carnaval de hoje em dia é um derivada de um conjunto de coisas, uma delas é a crise. O importante é que os grupos carnavalescos sejam empreendedores”, disse.

Por outro lado, a divulgação do carnaval, por parte dos meios de comunicação social, é um aspecto que preocupa o músico. “É triste quando alguém olha o carnaval de São Nicolau que lembra o do Mindelo, mas é um desfile que passa despercebido. Os meios de comunicação dão mais atenção ao carnaval de São Vicente e da Praia. Hoje em dia, Fogo e Sal têm bom carnaval. Maio não tem carnaval, é uma tristeza. Tenho apoiado algumas escolas com músicas, mas não é o suficiente”.

O artista diz que muitas vezes se sente desmotivado, porque acredita que os compositores não são valorizados. “Em vez de mencionar que o grupo X ganhou a Melhor Música, deviam atribuir o nome do autor à música vencedora do prêmio, como acontece no Mindelo”.

George Tavares, também é compositor de outros gêneros musicais. Recentemente a jovem cantora, Elida Almeida, gravou uma das suas composições no seu primeiro disco, uma morna intitulada de “Mar Salgado”.

As composições do músico maiense já viajaram o mundo através de outras vozes como de Mariana Ramos, Lura e Bob Mascarenhas. “A expansão do meu trabalho aconteceu graças ao produtor Djô da Silva que registou 30 composições da minha autoria em França. Foi gratificante, serviu de incentivo para continuar a compor”, frisou.

Projectos futuros

No que tange a projectos futuros, George Tavares avança que pretende gravar um trabalho com duas faixas de gêneros músicais tipicamente cabo-verdianos, mas sem abrir mão de produzir músicas carnavalescas. Uma das músicas vai chamar-se “Quinta-feira Santa”, um retrato das vivências no músico na sua ilha natal. E a outra, ainda mantida em segredo, vai ser um tema “um pouco melancólico”. O lançamento está previsto para o final deste ano.

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