Estrelas da Marinha, um dos grupos oficiais do Carnaval da cidade da Praia, afinal não vai desfilar este ano. A informação foi confirmada hoje, dia 24, ao SAPO tanto pelos membros da direção como pelo presidente do grupo, António Dias.

Este ano o grupo Estrelas da Marinha deveria regressar ao desfile oficial na cidade da Praia, mas um alegado desentendimento entre a direção do grupo da Terra Branca, que desde 2012 desfila no Carnaval da Praia, e o presidente do grupo, António Dias, terá ditado a ausência no desfile de 2020.

Uma nota de imprensa enviada ao SAPO e assinada por três membros da direção do grupo “Estrelas da Marinha”, Maria Filomena Brito Monteiro Sequeira, Natalina Sousa Silva e Rocha e Adroalda Mery Cruz de Castro Araújo, fala num afastamento destes três membros da direção do grupo face a alegado “comportamento pouco transparente do presidente que se furtou a prestar contas, mostrando-se incapaz ou indisponível para explicar de forma coerente o desaparecimento de montantes significativos atribuídos pela CMP (em 2018)”.

As signatárias do documento dizem que “as atividades do grupo ficaram suspensas até que houvesse uma explicação do presidente, facto que não aconteceu até então”.

Os três membros da direção dizem estranhar que se mencione o nome do Grupo "Estrelas da Marinha" como um dos grupos oficiais que vai desfilar no Carnaval deste ano, já que as subscritoras esclarecem que se trata de uma apropriação indevida do nome do grupo por parte de António Dias e demarcam-se perante o grupo que alegadamente iria desfilar na Avenida no próximo dia 25.

As signatárias do comunicado prometem ainda que “o grupo ressurgirá para animar a festa do Rei Momo na capital e proporcionar momentos de indescritível folia aos seus apoiantes e simpatizantes”.

Por sua vez, contactado pelo SAPO, António Dias diz estar perplexo perante as informações que começaram a circular de que o grupo Estrelas da Marinha não iria desfilar já que a decisão final só foi tomada ontem, dia 23, depois das 18h00.

António Dias adianta que desde 2019 tem contactado os três membros da direção a informar que se devia fazer a inscrição do grupo para o desfile de Carnaval tanto em 2019 (em que o grupo não chegou a sair) como agora em 2020. “Todas alegaram indisponibilidade”, adianta e questiona: “Então é por causa de três elementos que o grupo não deveria desfilar?”

Sobre as acusações de que é alvo, o presidente do grupo explica que em 2018 o grupo recebeu uma segunda tranche da Câmara da Praia numa sexta-feira, antes do Carnaval, e que para que os trabalhos do grupo não ficassem parados, fez o levantamento da verba para custear os trabalhos finais. Facto que foi esclarecido na altura perante o questionamento da tesoureira do grupo.

A mesma fonte fala ainda que em 2018 houve outras situações por esclarecer, nomeadamente o desaparecimento de uma verba e um alegado assalto aos estaleiros do grupo.

Quanto à desistência deste ano, António Dias explica que a decisão foi tomada ontem, dia 23, depois de uma reunião com os membros da direção (signatárias do comunicado) que o presidente acusa de bloquear a verba que foi disponibilizada pela edilidade da Praia e pelo ministério da Cultura, já que para movimentar a conta onde ambas as entidades disponibilizaram o montante é necessária a assinatura de dois dos restantes membros da direção que se negaram a faze-lo. “Dizem que este não é o grupo Estrelas da Marinha, mas sim o meu grupo”.

Lamentando toda esta situação, o presidente que fala em boicote por parte da direção do coletivo e diz que teve de mandar parar os trabalhos no estaleiro que já iam avançados mas que “sem o dinheiro, não há condições (para terminar o trabalho)”.

António Dias diz mesmo perante o investimento que já foi feito “essas pessoas (membros da direção) vão ter de assumir a responsabilidade de dívidas” pois negaram-se a assinar o levantamento da verba.

Quanto ao futuro do grupo, António Dias admite que é necessário rever os estatutos e elaborar novos, mas explica que ao longo dos anos vários elementos do grupo saíram e que não tem sido possível fazer um novo estatuto, estando um grupo interino à frente do coletivo.

Sobre a participação no desfile oficial do próximo ano, o presidente esclarece ainda que tudo vai depender se o grupo for penalizado por não ter saído durante dois anos e passar à categoria de grupo de animação.

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