Em declarações à Inforpress, Alibio Brito afirmou que, este ano, o grupo não só quer colorir as ruas da Ribeira Brava e levar os foliões a sambar, mas a ideia principal é sensibilizar à população no sentido de evitar todos os tipos de violência contra as mulheres.

“Derivados dos sucessivos problemas de violência baseada no género que houve no ano passado e em São Nicolau tivemos três casos de mulheres naturais daqui que foram vítimas de violência e de assassinato”, disse o responsável do grupo, tendo sublinhado que foi por esta razão que escolheram o tema “Deusa crioula no Reino de Deus”, que se centra à volta da figura feminina e na valorização da mulher.

A ideia é, durante toda a preparação do Carnaval, passar mensagens através de palestras, nas t-shirts, e nos panfletos, evolvendo as instituições cabo-verdianas ligadas à esta causa, para que juntos possam sensibilizar às pessoas para a não-violência contra as mulheres.

Apesar de já estarem a preparar para brincar o Carnaval, este responsável revelou que desde o ano passado que os grupos têm tido algumas dificuldades em levar o Carnaval ao terreiro da Ribeira Brava, devido à diminuição do orçamento por parte do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, e devido a algumas responsabilidades que ficaram por cumprir.

Conforme confidenciou Alibio Brito, em 2018, o grupo só saiu para desfilar porque já tinha os trabalhos iniciados, e, este ano, no início de janeiro ainda não tinham a certeza de que iam participar no desfile.

Entretanto, estas dificuldades e incertezas, sublinhou, só fez com que o grupo unisse mais para que possa colocar o Carnaval na rua.

“Este ano, só vamos fazer o Carnaval porque, primeiro gostamos do carnaval, queremos bem do nosso grupo, e não queremos perder os nossos artistas, e ainda pensado na economia local, que, nesta altura, reparamos que há uma influência forte e muitas instituições conseguem dinamizar e conseguir alguma receita”, justificou.

Para o desfile deste ano, por parte de apoio do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, informou, vão contar com um financiamento de 800 contos, mas por parte da Câmara Municipal da Ribeira Brava ainda não tiveram qualquer informação.

Com duas semanas de preparação, fez saber que os músicos já estão a afinar a voz e a batucada já está a ser preparada, mas em termos de ensaios dos figurantes só será a partir da segunda semana de fevereiro.

O grupo pretende levar ao terreiro dois carros alegóricos e cerca de duas centenas de figurantes, mas para isso esperam contar com a participação da diáspora.