As escolas do Ensino Básico Integrado (EBI) da cidade da Praia não vão participar no desfile do Carnaval na Avenida Cidade Lisboa deste ano. A CMP confirmou a desistência das escolas primárias. Em declarações ao SAPO, as três escolas que à partida iriam participar citam diferentes motivos para esta ausência.

A Escola Capelinha da Fazenda, que ficou em primeiro lugar no ano passado, alega que o atraso da verba disponibilizada pela Câmara Municipal da Praia (CMP) é um dos motivos que a deixou de fora do Carnaval deste ano.

“Comparativamente com os anos anteriores, a CMP demorou para disponibilizar a verba. Todos os anos reunimo-nos em dezembro e em janeiro a câmara atribui a tranche. Este ano, o montante de 300 contos foi apenas disponibilizado na quarta-feira passada (dia 5),” diz o professor e responsável pela organização do Carnaval da escola, Carlos Oliveira.

Devido a este atraso, a mesma fonte explica que para organizar o desfile do Carnaval teriam de ter mais tempo para prepararem os alunos.

“Os alunos não vão conseguir assimilar tudo em pouco tempo. Por exemplo, os ensaios, a coreografia e a música, isto implica mais tempo para prepara-los”.

O responsável acrescenta ainda que esta altura coincide com as datas dos testes e que os professores não vão conseguir driblar tudo, porque o Carnaval exige ‘tempo, dedicação e responsabilidade’.

“São os professores que constroem e organizam tudo. Contactamos o pessoal que confeciona os andores, mas não estão com disponibilidade, e também para costurar as roupas dos alunos, o tempo é insuficiente”, conclui.

Coração de Jesus lamenta fraca adesão dos pais

Por sua vez, o Centro Educativo Coração de Jesus de São Pedro salienta que gostaria de marcar presença no Carnaval, mas que infelizmente não vai ser possível.

“Nós tínhamos quase tudo preparado, desde o enredo, alas e os figurantes. Tínhamos costureiras equipadas aqui na escola para fazer o vestuário dos meninos, que neste caso seriam todos os nossos alunos (602), mas devido à falta de apoios não vamos sair. Estávamos esperançosas que os pais colaborassem, mas apenas 7 pais aderiram”, diz a diretora Maria Borges.

Neste sentido, o Centro Educativo, que abriu as portas há 2 anos com 300 alunos, lamenta esta situação. “Nós queríamos sair com todos os nossos alunos, mas sem a adesão dos pais e sem apoios seria impossível fazer um trabalho desejável”.

Apesar de não sair para a avenida, o Centro Educativo Coração de Jesus de São Pedro vai brincar o Carnaval dentro da sua comunidade. “Nós somos uma zona carenciada e por isso não vamos deixar de promover o sorriso, a alegria e o brilho nas nossas crianças”, acrescenta.

Escola SOS promete desfilar em 2021

Por outro lado, a escola SOS, uma das veteranas nos desfiles do Carnaval da capital e que foi bicampeã do Carnaval da Praia em 2013, alega falta de tempo como o principal motivo para não desfilar.

“O nosso único problema é o fator tempo, visto que no mês passado, 25 de janeiro tivemos a responsabilidade de organizar uma festa grande para os professores de toda delegação na nossa escola. É uma festa designada “Festa de Roca”, em que cada ano uma escola fica responsável pela sua organização”, explicou a gestora Dulce Helena Ferreira que lamentou a não participação do estabelecimento de ensino no desfile.

De acordo com a gestora, a decisão foi tomada pela direção junto dos professores.

“Nós apostamos na qualidade do Carnaval e não vamos descer o nível daquilo que sempre levamos para a Avenida todos os anos. É uma pena”, lamenta Dulce Ferreira.

A escola SOS já tinha o tema definido “Afrika Nós Identidade”, mas a gestora garante que vão preparar para o próximo ano com mais tempo e sair para a Avenida com um trabalho de ‘qualidade’.

Já a escola do Lavadouro, da encosta do Platô, que no ano passado também não participou no desfile das escolas primárias, continua afastada do sambódromo alegando “constrangimentos e contratempos diversos”.

Escola de Capelinha de Tira Chapéu vai desfilar no bairro

Igualmente, a escola de Capelinha de Tira Chapéu não participa no desfile oficial e pretende brincar a festa do Rei Momo na sua comunidade, usando meios internos.

“Vamos sair com todos os nossos alunos dentro da comunidade, para que todos possam sentir a folia e o brilho desta festa”, garante a responsável Isa Cabral.

Com o enredo “Música”, a escola Capelinha quer homenagear a Morna como forma de elevar o género que em dezembro do ano passado foi reconhecido a nível como Património Imaterial da Humanidade. “Queremos mostrar a importância deste género na nossa música e cultura”, assevera a responsável.

Segundo Isa Cabral, todos os alunos vão sair com t-shirts brancas que vão conter desenhos dos símbolos de notas musicais.

“A customização está nas camisolas que estão a ser feitas pelos próprios alunos na disciplina de Educação Artística, lecionada pela Professora Josina Rodrigues. Estão a fazer um trabalho bonito e com muita criatividade, inclusive os alunos do 4º ano”.

De recordar que esta não é a primeira vez que as escolas optam por não sair na Avenida.  Em 2016, nenhuma das escolas do EBI que têm por hábito desfilar no Carnaval da Praia desfilou.

A nível dos foliões mais novos, a CMP confirma que se mantém o desfile dos jardins infantis que este ano conta com a presença do Jardim Suzy, Catly e dos jardins da Câmara municipal, e que está marcado para o dia 23 de fevereiro, domingo, na Avenida Cidade Lisboa.

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