Este workshop, que se insere no plano de capacitação acordado entre a Câmara Municipal, a Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval de São Vicente (LIGOC –SV) e a equipa do Dudu Nobre, que decorre desde domingo, 03, foi considerado por Lucinha Nobre, de “muito produtivo” e com os casais que “vieram com muita vontade e trazendo muitas ideias de casa”.

“Alguns estavam um pouco mais avançados, com quem criámos um trabalho muito bacana, e os menos avançados criámos um plano adequado para que eles cheguem com dignidade na abertura da cabine” disse a dançarina brasileira, que garantiu ter “muito orgulho” do trabalho que foi desenvolvido, em que além de respeitar a arte da dança do mestre-sala e porta-bandeira, respeitou-se também a “origem e o ritmo cabo-verdiano”.

“Eu estou muito feliz com aquilo que conseguimos desenvolver e criar, tanto para a plateia como para os jurados”, disse, sublinhando que apesar de “algumas dificuldades” encontradas, por exemplo em relação à bandeira que o casal carrega e também com comportamentos durante a dança.

No entanto, segundo Lucinha Nobre, trabalhou-se com cinco casais “muito interessados” e que estão “cada vez melhores”, desde as primeiras formações recebidas em 2017, ano que se iniciou a parceria entre os agentes do Carnaval de São Vicente os do Rio de Janeiro.

“Então isso é motivo de muito orgulho para mim, porque a gente vê que a dança está sendo respeitada”, realçou, adiantando que vão aguarda para ver os resultados nos desfiles em março “com casais que poderiam até desfilar no Brasil”, enfatizou.

Lucinha Nobre, sublinhou ainda, que a essência desta dança nos dois países Brasil e Cabo Verde) é “muito parecida” e em que os parceiros devem ter “muita pose, sintonia, olho no olho, permanecerem sempre juntos, maneios alternados e muito respeito”.

Ensinamentos que a Lucinha trouxe e que, no entender do presidente da LIGOC-SV, Marco Bento, é uma “oportunidade única” para os cinco casais, uma vez que conseguiram trazer a dançarina num “momento difícil e de muito treino” para os desfiles do grupo Portela, no Brasil.

“As pessoas têm respeitado a aprendizagem, que vem desta comitiva vinda do Brasil e ainda as deslocações da LIGOC e os grupos juntamente com a câmara municipal ao Brasil”, afiançou este responsável, garantindo que a concertação das formações tem sido feita de acordo com as “necessidades” apresentadas pelos grupos

Por isso mesmo, ajuntou ainda Marco Bento, vão dar continuidade a este trabalho de há dois anos e continuar também com o Carnaval de verão, que está a “brindar” os visitantes e emigrantes, neste período em que acontecerá o grosso das formações.

Conforme apurou a Inforpress, graças a esta parceria no âmbito do Carnaval, a família de Dudu Nobre acabou por descobrir a sua “costela cabo-verdiana” herdada da bisavó, Iria Maria da Conceição, originária de Santo Antão, e neste momento já estão a providenciar a papelada para obter a nacionalidade crioula.