Para uma melhor organização da festa do Rei Momo deste ano e perspectiva para o próximo ano, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, recebeu hoje os responsáveis dos sete grupos oficiais da Praia, nomeadamente Vindos D´África, Samba Jo, Estrela da Marinha, Vindos do Mar, Maravilha do Infinito, Artístico Deusa do Amor e Bloco Abel Djazzi.

A questão do financiamento e a falta de espaço para ensaios e confecção dos andores foram os principais problemas colocados pelos grupos ao governante.

Em declarações à imprensa, o presidente do grupo Vindos d´Africa, José Gomes, que falava na condição de porta-voz dos grupos, disse que há uma “discrepância enorme” em relação aos grupos de outras ilhas, uma vez que o valor que os sete grupos da Praia vão receber nem chega ao valor que um grupo de São Vicente recebe.

Para este ano, informou, vão receber 800 contos por parte da Câmara Municipal da Praia, tendo já recebido o valor de 600 contos referente a primeira tranche, e esperam receber 100 contos de incentivo atribuído pelo Governo.

Outro problema quê se vem arrastando ao longo dos anos, ajuntou, é a questão dos estaleiros, dos atrelados para transportar os andores, de espaço adequado para os ensaios e instalação própria para cada grupo realizar as suas actividades.

“Tudo isso vem condicionando-nos a fazer o Carnaval no seu tempo próprio e a levar o produto final para avenida com mais condições e mais qualidade”, frisou.

José Gomes defendeu que há que começar a ver o Carnaval da Praia com uma “outra visão”, visto que todas as condições estão criadas para que Praia tenha um Carnaval de “alto nível e igual às outras ilhas”.

Na mesma linha, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, também reconheceu que a Cidade da Praia tem um “grande potencial a construir”, contudo, defendeu que falta “uma maior organização” para que Praia tenha um Carnaval a um nível mais elevado.

“Falta obviamente muito mais do que financiamento. Falta uma organização detalhada dos grupos para que o desfile do carnaval seja um espectáculo e não apenas cada grupo a brigar consigo mesmo para ter o máximo de pessoas na avenida” indicou.

Informou que, este ano, o Ministério da Cultura redesenhou um modelo de financiamento em que foram subsidiadas as câmaras municipais que apresentaram um projecto, mas na cidade da Praia resolveram apoiar directamente os grupos.

Conforme disse, durante os últimos três anos atribuíam um valor de 800 contos à Câmara Municipal da Praia como ajuda para os prémios, mas este ano vão trabalhar directamente com cada grupo e criar um projecto de empoderamento dos mesmos, a partir das suas comunidades.

A ideia, explicou, é no dia seguinte ao Carnaval os grupos começarem a trabalhar em projectos sociais, durante o ano inteiro, e na altura de o Carnaval poderem promover uma maior adesão das pessoas aos grupos, assim como acontece de forma “natural e histórica” em São Vicente e São Nicolau.

“Nós acreditamos que a cidade da Praia pelo nível da população que tem, pela vontade crescente, pelo trabalho que a câmara municipal tem estado a fazer, chegamos a uma altura em que é inevitável que o ministério da cultura seja parte deste processo e ajude não só na organização, mas no empoderamento do grupo”, sublinhou.

Na cidade da Praia, informou, cada grupo vai receber 200 contos de incentivos do Governo, mas estão a trabalhar num outro financiamento que poderá duplicar esse valor.

Para os grupos de São Vicente, informou que a Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval-São Vicente (LIGOC-SV) recebeu 5 mil contos para distribuir aos seis grupos oficiais, enquanto em São Nicolau cada grupo irá receber 800 contos cada.

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