Eles apontam como “ganhos” para os grupos e para o Carnaval de São Vicente a estruturação dos próprios grupos, a harmonização e a organização do desfile

Por exemplo, o presidente do grupo Cruzeiros do Norte, campeão em título do Carnaval de São Vicente, Jailson Juff, considerou que “graças a este intercâmbio” o seu grupo desenvolveu “e muito” a forma de pensar e executar o Carnaval, em sectores como a confecção de carros alegóricos e a organização do desfile.

Por isso, para Juff, é “muito bom” que esta parceria dure mais anos para permitir a evolução do Carnaval do Mindelo, sobretudo com as novas técnicas que os brasileiros estão a introduzir na confecção de andores.

Guilherme Oliveira, que representa o grupo de Monte Sossego, por seu lado, concretizou que “é evidente” para qualquer pessoa que o Carnaval dos últimos três anos “é totalmente diferente” dos anos anteriores em “proporção, volume, formas de decoração e organização do desfile”.

“São anos de evolução que conseguimos ver e assimilar em meia hora de visita a diversos estaleiros, e sendo que cada estaleiro ou ateliê tem uma linha de produção ou o hábito de inovar, conseguimos no final do dia ter uma experiência que às vezes nem pessoas daqui conseguem ter com alguns anos”, precisou.

Questionado se tem valido a pena, Oliveira foi peremptório: “Tem valido a galinha inteira, não só a pena”.

Curiosa é a opinião do presidente do grupo Estrelas do Mar, Fernando Fonseca, que hoje considera a ideia do intercâmbio de uma “boa aposta” da câmara, embora anteriormente tivesse uma posição oposta.

“Quem não conhece pode ter uma posição contrária, inclusive eu próprio antes não era muito a favor deste intercâmbio”, observou, mas que, “a partir de agora”, deseja lançar a mensagem de que esta é uma parceria “muito boa” para o Carnaval de São Vicente.

Por isso, continuou, o Carnaval do Mindelo tem ganhado com esta parceria que “vale a pena e que deve ser continuada” por haver formas de trabalhar que “nem fazia ideia que seriam possíveis”.

“Mas, é preciso vir, observar, perguntar, aprender e tirar o melhor proveito”, sintetizou.

Já para a presidente do grupo Flores do Mindelo, Ana Gonzalez, a “descoberta” do Brasil através do intercâmbio câmara de São Vicente/Dudu Nobre, foi “fantástica” porque permitiu aos dirigentes e fazedores do Carnaval de São Vicente “abrir os olhos” para uma realidade da qual “não tinham noção”, com o conhecimento, a cada ano, de novas técnicas nas mais diversas áreas.

Em representação do grupo Vindos do Oriente, Emanuel Rodrigues considerou que a troca de conhecimentos permitiu aos grupos de adquirir “mais-valias” que são hoje “visíveis” no desfile do Carnaval do Mindelo.

“Hoje há mais coordenação, harmonização e sincronização num desfile que costumo classificar de nota 10” nos últimos anos, afirmou.

Para este responsável, as visitas aos ateliês têm permitido uma “frutífera troca de experiências” entre carnavalescos dos dois países.

Por isso pediu a sua continuação em sectores como técnicas de alegorias e confecção de peças para andores, que passa por levar um técnico especializado brasileiro a Cabo Verde e tentar passar as novidades para um maior número de pessoas, sendo certo, assinalou, que com uma tecnologia mais avançada pode-se conciliar as duas realidades, “sem dar passos maiores do que as pernas”.

David Leite, presidente da Escola de Samba Tropical, por seu lado, destacou três anos que permitiram “conhecer todo este mundo que é o Carnaval do Brasil”, desde fornecedores, artistas e prestadores de serviço, e ver como é que as coisas funcionam, o material e rentabilidade em determinadas situações e a própria organização dos grupos.

Recomendou, por isso, a continuação da parceria que só vai trazer “benefícios e muito maior qualidade e profissionalismo” ao Carnaval de São Vicente.

Lembrou que o mercado mindelense é “muitíssimo limitado”, pois a história do Carnaval de São Vicente revela que desde sempre os materiais eram importados do Brasil, só que antes materiais como plumas e tecidos eram adquiridos nas boutiques “em pequenas quantidades e pouca variedade”.

“Agora, com esta parceria, passamos a ter acesso directo aos fornecedores, com uma maior variedade e melhor preço”, declarou, e a tirar benefício para adaptar à realidade cabo-verdiana, mas alertado para a necessidade de união entre os grupos.

“Só estamos a tirar proveito deste intercâmbio porque constatamos uma grande união entre os grupos, todos no mesmo sentido, a irem às mesmas lojas, quase que a comprar as mesmas coisas, mas a criatividade depois é que vai mandar”, concretizou.

O intercâmbio entrou hoje no quinto dia, este reservado a compras num dos grandes armazéns do Rio de Janeiro.

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