Esta parceria, conforme avançou esta responsável à Inforpress, foi proposto pela associação desde o ano passado, quando o Estrela do Mar pretendia sair no Carnaval de São Vicente, depois de alguns anos de paragem, algo que não aconteceu, e por isso, ficou para este ano.

O projeto carnavalesco, segundo a mesma fonte, faz parte do mesmo programa, que engloba as formações nas comunidades, o “EcoStar” -projeto com personalidades – e outros financiados pela BirdLife e pela Fundação MAVA.

“Este projeto diz respeito à educação ambiental, sobre as aves marinhas, e estamos a tentar passar a mesma ideia de proteção das aves marinhas, tal como tem sido feito com as tartarugas”, disse, acrescentando que se quer dar a conhecer as espécies que existem no país, as ameaças que enfrentam e as formas de proteção, uma vez que “não se consegue cuidar sem primeiro conhecer”.

E é esta a mesma mensagem que, ajuntou, querem passar no Carnaval com o grupo Estrela do Mar, cujo enredo, “A mensageira”, fala de “uma estrela enviada pelos Deuses de outras constelações para impedir a destruição do meio ambiente na Terra”, e que está a ser apoiado com um financiamento de cerca de 12 mil euros.

Neste pacote, entram ainda uma consultoria dos pormenores a serem retratados, também uma designer da Biosfera criou maquetes para trajes e a associação deu ideias para a composição da música do grupo, que tem por título “Gongon”, uma ave endémica de Cabo Verde.

“Estamos a procurar consensos e as duas partes estão imensamente abertas a receber as ideias uma da outra”, asseverou Patrícia Rendall, adiantando que tem sido um trabalho que dá gozo fazer, por amor ao Carnaval e por fazer as aves marinhas “ganharem vida”.

Também com sentido de proteção ambiental, também propuseram ao grupo que utilizasse penas verdadeiras nas roupas, em vez das artificiais, que a princípio, segundo a mesma fonte, pode causar algum espanto, mas tem uma explicação.

“É que as penas artificiais são de plástico, que depois transformam-se em microplásticos e vão para o mar, enquanto as verdadeiras podem ser utilizadas, mas somente se forem de matadouro”, explicou a bióloga marinha.

“Por exemplo, a Sociave faz criação de galinhas para vender nos mercados e as penas vão para o lixo, então porque não reaproveitar as penas para o Carnaval, de qualquer forma o animal já está morto”, sugeriu, com a visão de que assim quando a roupa for para o lixo já será biodegradável.

Patrícia Rendaall garantiu que por estas razões, o grupo Estrela do Mar já se sente parte do slogan “Nôs e Biosfera” (Nós somos Biosfera – em português) e permitiu que a associação pudesse desfilar com todas as aves marinhas do país, inclusive a Fragata, hoje em dia considerada um “fóssil vivo”.

“Só há dois indivíduos no ilhéu de Baluarte da Boa Vista e segundo o último estudo eram duas fêmeas, que não conseguem dar descendência e quando morrerem não haverá mais”, lançou, adiantando que trabalham para que as outras espécies não tenham o mesmo fim, por “falta de cuidado” dos cabo-verdianos.

Isto porque, segundo a mesma fonte, a ave marinha Fragata vai ser extinto de “todo o continente africano” , uma vez que Cabo Verde era o único local de nidificação da espécie.

“Por isso, queremos fazer isso, para as pessoas apaixonarem-se pelas aves de tal forma que as queiram ver livre na natureza e não presas”, reforçou, explicando que esta é a razão de se estar a investir “tanto dinheiro” na sensibilização.

Este projeto de proteção das aves marinhas, segundo a bióloga, tem término previsto para o final de 2019, mas caso os resultados forem “satisfatórios ” poderá ter mais um prolongamento.

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