O Batucassamba abriu na noite deste sábado, 22, os desfiles dos grupos carnavalesco da Cidade da Praia. O arranque que estava previsto para as 21h00 começou por voltas das 22h40 na Avenida Cidade de Lisboa.

Segundo a presidente do grupo, Sara Borges, o atraso foi devido a um pequeno problema com o sistema de som. “A Câmara Municipal da Praia tem que inovar e apostar num sistema de som igual ao da Rua de Lisboa, em São Vicente. Estamos a ter um elevado custo com o som”, diz indignada.

 “Somos reféns do tempo” foi o enredo escolhido pelo grupo e foi retratado em 9 alas: O ciclo da Vida que é a ala da frente que foi trabalhada pelo grupo de dança (Fidjus de Bibinha Cabral); Os Planetas; O Zodíaco que é uma ala constituída por 12 musas do Batucassamba; O Calendário; O Relógio, a tradicional ala das Baianas; A Felicidade; O Nascer e o Pôr-do-sol, A Tecnologia, constituída por adolescentes, e Tempo de Outrora, ala constituída por crianças.

Ao contrário do ano passado que teve cerca de 300 figurantes, este ano, o grupo contou com um número reduzido de foliões. “Apesar termos tido cerca de 205 figurantes, estamos felizes e o balanço é positivo. O Batucassamba está a crescer e o carro alegórico está a ficar mais bonito. Precisamos apenas que os praienses e não só juntem-se ao grupo. Sabemos que é difícil pagar os trajes, mas com uma poupança mensal será mais fácil”, disse Sara Borges.  Este ano os trajes do grupo custaram entre 6 a 12 mil escudos, o traje mais caro que era o das Baianas.

O grupo saiu com um carro alegórico, elaborado por José Fortes, que trazia o homenageado deste ano, Nhonhô Hopffer Almada, e outras figuras de destaque.

“Desde o ano passado, tomamos a iniciativa de homenagear um artista, começamos com Antero Simas e este ano escolhemos Nhonhô Hopffer Almada, que é uma figura que tem vindo a apoiar o grupo desde o início”, disse a presidente do grupo.

Nhonhô Hopffer Almada, que nos últimos anos tem vindo a enfrentar alguns problemas de saúde, disse sentir-se honrado com o gesto do grupo.

“Não estava à espera, uma vez que, faço as coisas com prazer, amizade e amor. Também vou ser homenageado no Festival Grito Rock e será a quinta homenagem que recebo nesses últimos dois anos. Como todas essas homenagens vou regressar aos EUA com mais força, vontade de viver e seguramente vou vencer esta luta. Sou um homem que quer estar presente e ainda tenho muito por fazer na vida, tanto na arquitectura como na música”, diz esperançoso.

No que tange aos financiamentos, Sara Borges revelou ao SAPO que o Batucassamba recebeu apenas o apoio da Câmara Municipal da Praia e de algumas empresas. “Desde o início pedimos apoio ao Ministério da Cultura, mas nunca recebemos feedback. Este ano, resolveram apoiar os grupos, mas excluíram o Batucassamba. Mesmo assim ainda estamos à espera do patrocínio do MCIC”.

Bancadas lotadas para o desfile

O público praiense aderiu em massa ao oitavo desfile do único grupo que sai à noite na cidade da Praia.

Thiago Barreto, que assistiu pela primeira vez o desfile do coletivo na Avenida,  disse que foi interessante e bonito. “Os foliões transmitiram uma boa energia e interagiram com o público que não ficou indiferente. O grupo está de parabéns e devem continuar”.

Niva Barbosa também é de opinião que o Batucassamba estava bonito. “O grupo está a evoluir ao longo do tempo, mas é preciso ter mais foliões na Avenida”.

Já Paulo Lopes, que sempre acompanhou os desfiles do grupo, disse ao SAPO que foi bom, mas que o coletivo precisa melhorar em alguns aspectos.

Soraia Marçal também é da opinião que o desfile podia ser melhor. “Este ano teve pouca adesão de foliões”.

Apesar dos atrasos, Idel Almeida considerou o desfile lindo e dinâmico. “No que tange aos atrasos, já estamos acostumados. Todos os anos há atrasos e espero que no futuro melhorem”.

Os desfiles do Batucassamba e dos Jardins Infantis são os favoritos de José Miguel. “Os desfiles do Sábado e do domingo são os que têm mais brilho, folia e emoção. O desfile de hoje estava bonito”.

Este ano, o desfile do grupo terminou depois das 00h00 e teve transmissão em direto na televisão nacional, TCV.

É de realçar que, os Mandingas Ariah do Norte também desfilaram na noite deste sábado na Avenida Cidade de Lisboa.

Nota: Mais tarde a presidente do grupo, Sara Borges esclareceu que o problema do som deveu-se a uma falha na sincronização entre os músicos e a batucada que foi ultrapassada quando o carro do som foi inserido no meio do desfile. O grupo também gostaria de ser apoiado na implementação  do sistema wireless que já está operacional na Avenida Cidade Lisboa.

NOTÍCIA ATUALIZADA NO DIA 29 DE FEVEREIRO

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