A carreira de Viola Davis começou a mudar quando enfrentou Meryl Streep em algumas das cenas mais marcantes de "Dúvida" em 2008, mas foi o gigantesco sucesso três anos mais tarde de "As Serviçais" que a tornou uma estrela, valendo-lhe excelentes críticas e outra nomeação para os Óscares.

O filme, "the Help" no original, acompanhava três mulheres muito diferentes, Aibileen e Minny, duas criadas domésticas negras (Davis e Octavia Spencer, que ganhou o Óscar), e Eugenia, uma jovem branca privilegiada que tenta vingar como escritora (Emma Stone), que construiam uma improvável amizade que quebrava todas as regras sociais no Mississippi durante os anos 60.

Agora, em entrevista ao New York Times, a atriz tem alguns arrependimentos no currículo e admite que, apesar de ter sido uma grande experiência, um deles é precisamente "As Serviçais".

Apesar de dizer que gostou de trabalhar com o realizador Tate Taylor e criar uma relação com as colegas, que descreve como "seres humanos extraordinários", tem problemas com a mensagem.

"Senti apenas que, no fim de tudo, não foram representadas as vozes das criadas. Conheço a Aibileen. Conheço a Minny. Eram a minha avó. Eram a minha mãe", começou por explicar.

"E sei que se se faz um filme em que toda a premissa é 'quero saber o que se sente ao trabalhar para os brancos e criar crianças em 1963', sei que quero saber o que realmente se sente sobre isso. Nunca soube isso durante a duração do filme", defendeu.

Viola Davis está a referir-se a algo que também levou muitos a criticarem "As Serviçais" em 2011: apesar de mostrar a relação entre as mulheres de cor que se ocupam das lides domésticas e acabam por "ajudar" os patrões brancos a criar os seus filhos, a história era contada principalmente a partir do ponto de vista da personagem de Emma Stone.

Esta era a protagonista e muitos sentiram que o filme, apesar das boas intenções da história, era mais um sobre "o salvador branco", deixando para segundo plano a história emocional das criadas negras.