Uma dos períodos mais lucrativos nas bilheteiras do cinema costuma ser o verão, tradicionalmente a temporada dos "blockbusters", as grandes extravagâncias de Hollywood.

Mas não é isso que está a acontecer: a venda de bilhetes está 7% atrás da temporada de 2018, contribuindo para colocar a desaceleração deste ano como um todo em quase 10% .

Os analistas acham que a culpa é da falta de inovação e os filmes parecerem saídos de "uma linha de montagem".

Os espectadores rejeitaram várias sequelas ou relançamentos de sagas populares, que se tornaram desilusões ou mesmo a ser fracassos comerciais: "X-Men: Fénix Negra", "MIB: Homens de Negro - Força Internacional", "Godzilla II: Rei dos Monstros", "A Vida Secreta dos Nossos Bichos 2" e a nova versão de "Shaft".

Também o circuito alternativo, o chamado mercado "indie", caiu 30% nos primeiros seis meses, afetando por exemplo a comédia "Late Night", com Mindy Kaling e Emma Thompson.

Estes filmes também não conseguiram compensar as quedas nos EUA com as receitas no resto do mundo, o que levou a Variety a avançar há duas semanas que as "preocupações com o cansaço das sagas" por parte dos espectadores "começam a ferver em Hollywood".

No entanto, multidões correram para ver nos cinemas "Vingadores: Endgame" (confirmando a Disney como o único estúdio de Hollywood a não ser afetado pela "crise"), "John Wick 3" ou "Toy Story 4". Esta semana, espera-se também uma estreia dominadora de "Homem-Aranha: Longe de Casa".

John Wick 3 - Implacável

A Variety voltou a ouvir vários analistas e responsáveis dos estúdios sobre esta aparente "contradição" e conclui que os espectadores não estão cansados ou odeiam sequelas: estão é a evitar os maus filmes.

"É isto que acontece quando se colocam todos os ovos na cesta das sequelas", garantiu Jeff Bock, analista da Exhibitor Relations sobre a lista de desilusões.

"A maioria destes filmes parecem ter saído de uma linha de montagem. Não estão a mergulhar mais fundo na história. Não estão a aumentar a parada. Os espectadores pensam que não estão a inovar", acrescentou.

A receita de ser mais um capítulo de uma saga popular parece já não ser suficiente, principalmente quando há séries como "A Guerra dos Tronos", "Big Little Lies" ou "Stranger Things" a manter as pessoas em casa: os analistas defendem que as opções crescentes de entretenimento estão a tornar os espectadores mais perspicazes antes de decidir comprar um bilhete de cinema.

"Acho que toda a gente está a tentar perceber o que é o novo normal para as bilheteiras de verão. Talvez neste preciso momento se precise de algo realmente forte em termos de marketing ou slogan. Não é bom sinal se a sensação é 'já vi isto antes'", explicou Paul Dergarabedian, analista da Comscore.

Para Cathleen Taff, responsável pela distribuição global de cinema da Disney, trata-se de uma questão de ter histórias de qualidade: "se apresentarmos filmes que as pessoas vão gostar, elas vão regressar. Não as podemos enganar."

Jim Orr, líder de distribuição dos títulos da Universal nos EUA, recordou que em 2017 também houve "muitas histórias sobre ir às salas de cinema estar nas últimas".

"Duas semanas mais tarde, [o filme de terror] 'It' teve uma estreia de 123 milhões de dólares. É um negócio cíclico. Tem sido sempre assim", acrescentou.

Além do novo "Homem-Aranha", os analistas apostam nos sucessos de "O Rei Leão" (ou não se tratasse da Disney) e "Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw", e, nos próximos meses, de "It: Capítulo 2", "Joker" e "Star Wars: A Ascensão de Skywalker".

Daí que o presidente da distribuição da Warner Bros. defenda que se ver as bilheteiras de outra forma: "Ir ao cinema já não é sazonal, tem de se olhar para o ano todo. Já não se trata apenas do verão ou do Natal".

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