No festival internacional Séries Mania, em Lille (Frrança), para apresentar uma série que será lançada em breve na Netflix, Uma Thurman falou da sua carreira, das relações com o realizador Quentin Tarantino e sobre a ascensão dos papéis femininos em Hollywood.

"Aos 12 anos, disse à minha mãe que queria ser atriz, e ela respondeu-me: 'sim, como toda a gente'", recordou a atriz norte-americana durante um evento esgotado aberto ao público esta terça-feira.

"Não sei como isso foi possível. É, provavelmente, um dos milagres da minha vida. Aos 15 anos, os meus pais autorizaram-me a ficar independente. Aos 16, fui contratada para o meu primeiro filme e desde então nunca mais parei de trabalhar", contou.

As suas modelos? Doris Day, Meryl Streep, Diane Keaton ou Audrey Hepburn.

Desde a estreia com Terry Gilliam ("A Fantástica Aventura do Barão", de 1988), a sua carreira conta com vários filmes icónicos, como "Ligações Perigosas", "Gattaca", "Ninfomaníaca" e algumas séries de televisão.

Mas foi principalmente pelo seu papel no filme de Quentin Tarantino "Pulp Fiction" e depois em "Kill Bill" que se tornou popular.

"Tenho muita sorte de ter vivido isso", reconhece a atriz, de 49 anos, que também falou das difíceis condições de rodagem de "Kill Bill".

No início de 2018, o seu testemunho somou-se ao de uma longa lista de vítimas do produtor Harvey Weinstein e ela acusou Tarantino de tê-la posto em perigo quando foi vítima de um grave acidente de carro durante a produção de "Kill Bill, Vol. 2".

Embora não tenha comentado este episódio, a recordação de uma cena clássica, em que tenta escapar de um caixão aos socos, fê-la: "vivi 12 momentos de stresse pós-traumático só de ver isto".

Melhores oportunidades

"Toda a gente adora ouvir os diálogos de Quentin e ver a sua criatividade, não existe realmente ninguém que não goste deles", reconheceu, vendo no realizador "um verdadeiro sentido de humor, que não corresponde, com certeza, exatamente ao meu".

"Quando revejo 'Pulp Fiction', penso na minha filha, Maya. Ela tem 20 anos, uma bebé...", continua, celebrando a "correção muito tardia" de Hollywood sobre os papéis femininos, que há alguns meses passou a criar mais heroínas fortes e independentes.

"Estou feliz de ver que há melhores oportunidades para as mulheres e que a minha filha terá oportunidades diferentes", acrescentaz, festejando a sua presença no elenco da terceira temporada da série de sucesso no Netflix "Stranger Things".

Uma Thurman também considerou que o movimento #MeToo, sem citá-lo de forma direta, "criou definitivamente um melhor ambiente de trabalho, mais seguro".

"Mas não é preciso que isso restrinja a criatividade das pessoas. É preciso que nos possamos apaixonar pelo papel principal sem nos deixarmos aprisionar", acrescentou.

Sem revelar a sua preferência entre cinema e televisão, ou entre géneros, Uma Thurman também apresentou a série "Chambers", um "drama familiar, um 'thriller' sobrenatural, onde uma jovem passa por estranhos efeitos após o transplante de um coração que pertencia a uma jovem da sua idade".

"Sou a mãe em luto da jovem que faleceu. Há muita energia feminina nesta série", criada por Leah Rachel e que tem Uma como coprodutora.

"Sou um pouco a madrinha dela", concluiu a estrela desta série selecionada para competição na "Séries Mania", antes do seu lançamento na Netflix em 26 de abril.

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