Geoffrey Rush não quer voltar a representar, declarou a sua esposa durante uma sessão em tribunal esta quarta-feira.

O ator australiano de 67 anos, vencedor de um Óscar por "Shine" (1996) e com filmes como "O Discurso do Rei" e a saga "Piratas das Caraíbas" no currículo, está a processar o Sydney Daily Telegraph por difamação, dizendo que este lhe causou "um tremendo sofrimento emocional e social".

Em causa estão artigos publicados em novembro de dezembro de 2017 onde é acusado de comportamentos inapropriados durante a produção da peça "Rei Lear" em 2015 na Companhia de Teatro de Sydney. Rush alega que foi retratado como um "pervertido" e "predador sexual".

Em tribunal, Jane Menelaus recordou que o marido veio abaixo quando viu o título do primeiro artigo, "King Leer" [um trocadilho que alude a um comportamento lascivo], em novembro de 2017.

"Ele chorou. Disse 'Acabaram de destruir tudo o que tentei fazer' e depois colocou o braco à minha volta e chorou. Vi um homem tão alterado e mudado, os seus olhos afundaram-se na sua cabeça, ele afastou-se tanto do mundo", cita o jornal The Guardian.

"Ele não quer voltar a representar", acrescentou noutro momento da sessão.

O ator pediu a demissão da presidência da Academia de Cinema australiana (AACTA) e não trabalha desde a rodagem de "Storm Boy" em agosto de 2017, que deverá estrear nos cinemas australianos em janeiro do próximo ano.

Em abril, o advogado disse que sofria de "falta de sono e ansiedade que requer medicação" e acreditava que o seu valor para a indústria do entretenimento estava "irremediavelmente prejudicado", acrescentando que raramente saia de casa e "perdeu o apetite e raramente come".

Uma das testemunhas que o Sydney Daily Telegraph vai chamar durante o processo é a atriz Erin-Jean Norvill, que interpretou Cordelia na peça e alega que Rush teve comportamentos inapropriados.

Este nega, mas admite que pode ter dito a colega mais nova parecia "yummy" [apetitosa], mas no sentido de que os dois "estavam prestes a fazer cenas juntos que seriam intensas e angustiantes".

Uma segunda mulher, assistente na produção, também acusou o ator de ter gestos incorretos, o que este também negou.

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