Super-heróis como Homem-Aranha, Hulk ou os X-Men parecem ter um futuro garantido, apesar da morte do seu criador, Stan Lee.

Transformados em mitos da cultura popular mundial, estão muito presentes, principalmente no cinema.

"Os super-heróis são as nossas mitologias contemporâneas. Personagens que graficamente e culturalmente influenciam a moda, a arte de rua, a 'pop art', o desenho, a TV e o cinema: a sua importância é considerável", destaca Jean-Jacques Launier, fundador do museu de Arte Lúdica de Paris, que desde 2014 dedicou duas exposições a estas personagens.

Nascidos em 1938 com o aparecimento do Super-Homem, seguido no ano seguinte pelo Batman, os super-heróis caíram no esquecimento depois da Segunda Guerra Mundial, para voltar com força no fim dos anos 1950 e 1960 graças a Stan Lee, que criou o Quarteto Fantástico em 1961 para a Marvel.

Logo a seguir vieram os personagens do Homem-Aranha, Hulk, X-Men, Homem de Ferro e Pantera Negra, referências da cultura popular mundial, dos videojogos aos brinquedos, passando pelo cinema.

As primeiras adaptações em desenhos animados e filmes datam dos anos 1950. Com a mudança de século e o surgimento da tecnologia digital, foram melhorados os efeitos especiais e a Disney adquiriu a Marvel em 2009.

Atualmente, estreiam por ano uma dezena de filmes de super-heróis.

Evoluem com o tempo

"Os super-heróis são os valores seguros das grandes produções de Hollywood", explica Jessica Assayag, responsável pela programação da Comic Con Paris, dedicada à cultura da BD e à cultura pop. "O seu universo permite-lhes fazer filmes cada vez mais ambiciosos".

A fórmula do sucesso reside primeiro nos superpoderes dos personagens, mas também no facto de que eles têm problemas muito humanos, o que permite ao público se identificar com eles.

"O super-herói da Marvel, e os que se inspiraram na sua receita, vem dizer que o dinheiro não traz felicidade", explica Xavier Fournier, especialista em super-heróis. "É comovente ver um tipo que tem os poderes do Homem-Aranha, mas que quando tira a máscara tem problemas para pagar prestações e se preocupa com sua a tia idosa e doente".

O sucesso também se explica pela capacidade dos super-heróis em se adaptar à sua época.

Assim, no período dos primeiros heróis de Stan Lee, havia "a Guerra Fria e o medo da bomba atómica. O Homem-Aranha é picado por uma aranha radioativa, Hulk é impactado por raios gama, os X-Men são denominados os filhos do átomo", lembra Launier.

"Vingadores: Guerra do Infinito", que estreou este ano e representou o quarto maior sucesso de bilheteira mundial da história do cinema, "fala da sobrepopulação", enquanto em "Black Panther", primeiro filme de um super-herói negro, "aborda-se as raízes das pessoas", afirma.

"As BD souberam evoluir com o tempo e abarcar os problemas atuais. Houve 'comics' sobre o Watergate, a guerra do Vietname... Hoje, fala-se dos problemas raciais e de transgéneros", explica Jean Depelley, especialista em BD.

Tudo indica, portanto, que os filmes de super-heróis têm pela frente um futuro promissor: "Enquanto houver criatividade, não haverá estagnação", aponta Assayag.

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