Segundo informações divulgadas pelo site da UPCYCLES, na Internet, foram seleccionados para este intercâmbio sete artistas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

A residência criativa UPCYCLES é uma iniciativa do projecto Museu do Cinema (Moçambique), financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, para o intercâmbio e a criação dos artistas emergentes dos PALOP, que propõe a reutilização de arquivos audiovisuais através da criação de obras de arte em disciplinas artísticas várias.

Em declarações à Inforpress, Samira Vera-Cruz disse esperar aprender muito, especialmente no que toca à utilização de material de arquivo, pois, é uma área que lhe interessa devido ao trabalho que vem desenvolvendo com documentários.

“É uma experiência nova, no sentido em que vou estar a trabalhar com audiovisual fora da área do cinema, mas dentro de um dos meus temas de eleição, a preservação da memória colectiva através da individual. Vai ser muito bom, desafiante e inspirador”, afirmou.

Durante esta residência artística, a realizadora vai desenvolver o projecto “Di Nos” (Nosso), um seguimento do trabalho da curta “Ti Ki Nu Odja” (Até um Dia), que se centra nas mulheres que migraram para Moçambique na época da fome de 47.

“Algumas migraram para Moçambique após tentar a sua sorte em São Tomé e Príncipe e vivem, hoje, no bairro da Mafalala em Maputo. Vai ser um misto de arquivos da época (fotos, cartas e documentos) sobre os quais serão projectadas as entrevistas às senhoras numa sobreposição do presente com o passado”, informou.

A residência, de acordo com o regulamento, terá um período de dois meses à distância, com início neste mês, para pesquisa e preparação dos projectos.

Depois será reservado dez dias intensivos, em Maputo, para a finalização e montagem, em que os participantes serão orientados para a concepção e criação de obras multimédia que “reciclem” imagens do arquivo audiovisual destes países e proporcionem novas interpretações da História e da Memória, a elas associadas, criando novas narrativas.

O trabalho será acompanhado por dois formadores principais, Ângela Ferreira (Portugal/África do Sul) e Maimuna Adam (Moçambique), e por uma tutora e equipa técnica de apoio às questões de exibição dos trabalhos desenvolvidos, Diana Manhiça e Leonardo Banze (Moçambique).

Os últimos quatro dias do programa são dedicados, exclusivamente, à montagem de uma exposição e a sua inauguração pública, a 07 de Setembro, no espaço da Fortaleza de Maputo.

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