Samira Vera Cruz, que está em Macau, a participar na Semana de África, que decorre de 21 a 28, organizada pelas Associações dos Países Africanos de Língua Portuguesa em Macau, vai proferir, nesta quinta-feira, 23, uma palestra sobre “O Desenvolvimento do Cinema em Cabo Verde”, na Faculdade de Indústrias Criativas da Universidade de São José (USJ).

Falando um pouco sobre este tema com à Inforpress, Samira Vera Cruz disse que apesar das dificuldades do setor, que é de conhecimento de todos, os artistas estão a tomar as rédeas e a fazer acontecer, contra todas as dificuldades.

“A falta de acesso a financiamento sério e com condições que permitam o desenvolvimento criativo, dificuldade em conseguir equipamento com taxas alfandegárias altas para material ao qual só temos acesso através da importação e necessidade de mais formações dentro e fora para o crescimento dos atuais e futuros profissionais da área”, apontou como sendo as dificuldades do setor.

Com esta viragem no cinema, a produtora e realizadora defende que cabe agora às instituições, que deveriam pelo menos reconhecer o trabalho feito e comprovado, entenderem que precisam mais daquilo que pensam dos produtores, realizadores e artistas.

Durante esta palestra, disse que vai passar às pessoas a ideia de que não podem desistir dos seus sonhos, porque a “caminhada é difícil”, mas devem continuar a fazer o que mais gostam, pois, isso “não tem preço”.

Samira Vera Cruz, que na terça-feira teve a oportunidade de exibir a sua curta-metragens “Hora di Bai” (“Hora de partir”), disse que ficou surpreendida por ter a sala cheia de cabo-verdianos, maioritariamente estudantes, e não só a interagir com o filme.

“Foi muito bom e receberam-me muito calorosamente”, enalteceu, ajuntado que a sua primeira longa-metragem “Sukuru” também vai ser exibido durante a Semana de África.

Relativamente a projetos futuros, a mesma fonte revelou à Inforpress que vai iniciar em junho a gravação do documentário “E quem cozinha?”, que falada de uma jovem cega, a Patrícia, e que retrata e faz refletir sobre a condição da mulher cabo-verdiana e o seu lugar na sociedade.

“Conto ter o filme pronto no fim deste ano, a tempo de ir para festivais para o ano. Estou também a escrever a minha próxima ficção que à partida será uma longa, mas ainda não vou divulgar mais detalhes”, disse, avançado apenas que o filme vai ser gravado na Cidade da Praia e será em crioulo.