Após dois filmes realizados por Guillermo Del Toro com Ron Perlman em 2004 e 2008, Hellboy, o filho de um demónio e de uma feiticeira da banda desenhada criado por Mike Mignola, regressou esta semana aos cinemas.

Os bastidores do filme também parecem ter sido infernais.

LEIA A CRÍTICA DO SAPO MAG AO FILME.

Uma extensa investigação do The Wrap desvenda vários conflitos criativos durante a produção entre o realizador Neil Marshall e dois dos 10 (!)produtores do filme, Lawrence Gordon e Lloyd Levin, e nem escapa o ator principal, David Harbour, popular pela série "Stranger Things".

Um envolve a contratação de Sam McCurdy, habitual diretor de fotografia de Marshall, que foi despedido e substituído por Lorenzo Senatore alegadamente por cumprir a visão do realizador, que não seria a mesma dos produtores.

Estes, dizem as fontes do The Wrap, estavam "a tentar enviar uma mensagem a Marshall de que, apesar de ser o realizador do filme, não era ele que mandava".

Neil Marshall, que fez filmes de culto como "A Descida" (2005) e "Doomsday - Juízo Final" (2008), bem como alguns aclamados episódios da série "A Guerra dos Tronos", também terá visto Levin interromper frequentemente à frente da equipa o seu trabalho de ensaio com os atores, dando por vezes indicações diferentes.

Duas fontes também revelaram que David Harbour, o protagonista, abandonou várias vezes o local de rodagem, recusando os pedidos de Marshall para fazer mais tomadas das cenas.

O argumento também terá sido reescrito ao longo da rodagem e Harbour e o colega Ian McShane envolveram-se nesse processo.

Existiu ainda um conflito à volta de um árvore carregada de simbolismo que tem destaque no filme: Marshall queria uma realista de forma mais assimétrica, mas foi contrariado por Levin, que queria que insistiu num design simétrico. Durante a pós-produção, a árvore voltou a ser assimétrica.

Finalmente, Marshall entregou a sua versão de "Hellboy" e como não tinha direito à "montagem final", o controlo passou para os produtores, que fizeram várias alterações.

Todos os envolvidos diretamente citados recusaram fazer comentários, mas em resposta ao The Wrap, o advogado de Lloyd Levin acusou Neil Marshall de ter encorajado o que parecia ser, pelas questões colocadas, um "artigo tendencioso" que "arrasa 'Hellboy' e o meu cliente".

Este representante referiu que as causas do despedimento de Sam McCurdy são privadas, mas que a decisão foi coletiva e rejeita que a intenção fosse enviar uma mensagem ao realizador.

Reconheceu ainda que houve várias conversas entre Levin e Marshall, mas só após os ensaios e que o produtor não se recorda que David Harbour tenha abandonado a rodagem, elogiando-o por ter feito tudo o que lhe foi exigido e ainda mais.

Acrescdentou que apenas algumas cenas foram reescritas durante a rodagem, o que descreveu como habitual na indústria, mas que esse processo não envolveu os atores.

Em relação à árvore da discórdia, "como aconteceu com centenas de outros elementos no filme, passou por um exaustivo processo de design e evolução".

"Hellboy" chegou esta semana aos cinemas portugueses.

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