A informação foi dada hoje à Inforpress por Pedro Soulé, que vai produzir o filme, do realizador Nuno Miguel Miranda Pereira, ambos membros da produtora Kriolscope Filmes, que será também a produtora do projeto.

Conforme contou, durante o festival de Cinema “Oiá”, em São Vicente, tiveram a oportunidade de apresentar os projetos do coletivo Negrume a dois “caçadores de talentos” do Festival Mundial.

Interessados pelos trabalhos desenvolvidos por este coletivo, segundo Pedro Soulé, os dois indivíduos voltaram para Holanda onde desenvolveram um projeto para incentivar os coletivos africanos para a produção de filmes.

Neste sentido, “Negrume” foi um dos três coletivos africanos selecionados para o festival, juntamente com o coletivo do Quénia (The Next) e Angola (Geração 80).

“Fomos um dos três coletivos selecionados com base nos trabalhos que temos vindo a realizar para fazer parte do Festival Internacional de Roterdão para a edição de 2020, que tem como uma das missões a descoberta de novos talentos na área de cinema fora do continente europeu e americano”, informou Pedro Soulé.

No mês de janeiro, contou, teve a oportunidade de participar no laboratório de produção de cinema em Roterdão e, na ocasião, recebeu cinco mil euros (550 mil escudos) por parte da organização para que possam iniciar a produção do documentário e mediante justificativas poderão receber mais verbas.

Pedro Soulé disse à Inforpress que o orçamento deste projeto ronda os 40 a 50 mil euros e que fazem questão de introduzir no orçamento os direitos autorais no domínio da música.

“Temos muitos artistas que vão estar presente na nossa obra, desde Bana, por isso queremos pagar todos os direitos autorais à Sociedade Cabo-verdiana de Música para que possamos ter autorização de usar as músicas de forma legal”, afirmou.

A produtora tem entre outubro e novembro para apresentar a pré-produção e, de seguida, dar início aos trabalhos de gravação ainda em 2019, para que o filme possa ser apresentado no Festival no início do ano de 2020.

“Kmê Deus”, segundo explicou, é uma figura de São Vicente, uma personagem conhecida por muitos por “louco”, mas por outros como sendo um “grande artista” e este documentário vai debruçar-se sobre essa linha ténue entre o ser “artista e louco”.

“Dançando sempre nessa linha ténue entre a loucura e a arte, como se interligam, a relação de “Kmê Deus” com a sociedade que testemunhou sua existência e a relação de artistas e personalidades cabo-verdianos com este assunto”, avançou.

Pretendem assim, realizar uma viagem pelo “berço da cidade Mindelense, sua história e suas influências artísticas”.

O documentário, segundo a mesma fonte, será filmado de forma livre entre entrevistas, trechos da peça de dança contemporânea «Kmê Deus» por António Tavares, imagens de arquivo da vida da cidade, tudo isso, “transpondo para o filme a ideia de um verdadeiro ensaio sobre o pensar de um louco mindelense”.