A produtora cabo-verdiana Kriolscope e as produtoras independentes Anatomy of Restlessness Films, do Canadá, e da  Trayne  Adjei  Studios, do Gana, lançam um novo projeto de cooperação e coprodução internacional de televisão, intitulado Baobab Film Collective. O anúncio foi feito esta segunda-feira em comunicado.

Segundo o documento, o Baobab Film Collective tem a intenção "de cooperar além-fronteiras no espaço regional da CEDEAO, no sentido de apoiar a criação de um hub de serviços audiovisuais na África Ocidental, centrado no eixo Cabo Verde –Dakar –Accra e apoiado logisticamente pelos hubs de produção internacional nas Ilhas Canárias e em Marrocos".

Esta estratégia passa pela produção total ou parcial tanto em Cabo Verde, como no Senegal e no Gana, "de projetos televisivos com parceiros e financiadores internacionais, e sujeitos a tratados de coprodução oficiais. O comunicado salienta que "a nova Lei do Cinema em Cabo Verde abre as portas, pela primeira vez, a estes desenvolvimentos com um enquadramento legal e fiscal".

Outro especto interessante é que este projeto terá um enfoque nas estórias e personagens africanos contadas desde uma perspetiva africana e produzidas com audiências internacionais em mente, nas estórias com consciência social, aliando o entretenimento ao impacto sociopolítico.

Do portfólio da Baobab  Film  Collective já constam três aquisições de projetos que devem avançar para o mercado internacional nos próximos meses: The Leviathan, uma série limitada de ficção especulativa, escrita e criada pelo cabo-verdiano Nuno Miranda, da Kriolscope; Heirloom, uma série de Rustic SciFi/thriller Afrofuturista, do inglês Oliver Brackenbury, desenvolvida  pelo cineasta de origem cabo-verdiana  Pedro  José-Marcellino, da Anatomy  of  Restlessness  Films, e escrita  por  Brackenbury  e  pelo  ganês Gbontwi  Anyetei;  e Kwame,  uma  série  limitada  escrita  e criada  por  Gbontwi  Anyetei, sobre os anos formativos do líder da independência do Gana, Kwame Nkrumah.

O Baobab Film Collective pretende ainda “colmatar alguns défices de recursos humanos no mercado local através da facilitação e promoção de laboratórios e workshops de treino profissional destinado ao trabalho em sets internacionais, através da cooperação com os mercados das Canárias e de Dakar, e on the job mentoring nas suas produções em Cabo Verde.

De recordar que recentemente a Kriolscope iniciou a expansão para o cinema, com uma primeira obra intitulada Kmêdeus que obteve projeção internacional, nomeadamente com a presença no Festival Internacional de Roterdão, e no We Are One Festival, organizado por Tribeca.

Já o cineasta de origem cabo-verdiana Pedro José-Marcellino integra a equipa do Future Now, um ciclo de conferências digitais que arrancou no dia 29 de junho e que propõe repensar o setor da cultura cabo-verdiano em contexto da covid-19.

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