A direção da Academia Francesa dos prémio César, o "Óscar do cinema francês", anunciou esta quinta-feira (13) a demissão coletiva de todos os seus membros, a 15 dias da próxima cerimónia.

As razões são as críticas à sua gestão e a polémica em relação ao cineasta Roman Polanski.

"Para honrar aquelas e aqueles que fizeram cinema em 2019, para encontrar a serenidade e fazer com que a festa do cinema continue a ser uma festa, o conselho administrativo [...] decidiu pedir demissão por unanimidade", indica o comunicado divulgado pela entidade, presidida desde 2003 pelo produtor Alain Terzian [foto].

"Esta demissão coletiva permitirá que seja feita a renovação completa da direção", acrescenta a mensagem.

Este anúncio ocorre pouco depois da publicação na segunda-feira de uma nota no jornal Le Monde, na qual cerca de 400 personalidades francesas do cinema, incluindo Omar Sy, Bertrand Tavernier, Michel Hazanavicius, Jacques Audiard, Marina Foïs e Agnès Jaoui, reivindicam um "reforma profunda" na Academia em nome da diversidade e transparência.

No mesmo texto, criticam o "mau funcionamento", a "falta de transparência na contabilidade" e estatutos que "não mudam há muito tempo" e que se baseiam na "cooptação".

Outro motivo de mal-estar é a situação do cineasta franco-polaco Roman Polanski, acusado de violação e que lidera em número de nomeações para a próxima cerimónia pelo seu filme "J’Accuse - O Oficial e o Espião", o que incomoda feministas e a opinião pública.

Entidades como Osez le féminisme! ["Ousem o feminismo!"] convocaram uma manifestação em frente ao Pleyel de Paris, local onde se realizará a cerimónia de entrega dos César, marcada para 28 de fevereiro.

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