Talvez o realizador mexicano Alfonso Cuarón encontra aqui inspiração para mais uma história pessoal sobre os seus conterrâneos: um dos atores de "Roma" tem visto todos os seus pedidos de entrada nos EUA recusados pelos autoridades ao abrigo da lei de emigração.

Ao contrário de Cuarón e das atrizes agora nomeadas para os Óscares Yalitza Aparicio e Marina de Tavira, Jorge Antonio Guerrero tem estado afastado de muitos dos eventos à volta do filme candidato a dez estatuetas douradas apesar dos elogios recebidos pela interpretação do pouco simpático Fermín, o namorado da protagonista Cleo (Aparicio) obcecado pelas artes marciais.

Segundo revelou o jornal mexicano El Sol de Acapulco (citando a revista de entretenimento Quién), a embaixada dos EUA já lhe recusou visto de entrada no país por três vezes.

A primeira vez foi no início de 2018, ainda antes da estreia mundial do filme no Festival de Veneza, quando quis visitar o país como turista.

As outras tentativas foram no outono quando se tornou evidente a força de "Roma" na temporada de prémios. As rejeições levaram-no a falhar eventos apoiados pela Netflix, bem como cerimónias de prémios como os Globos de Ouro.

Por comentários que foram feitos durante uma das tentativas, Guerrero pensa que os funcionários da embaixada pensaram pela sua aparência que era um trabalhador à procura de emprego e não um ator, recusando-se a ler o convite por escrito de uma das produtores que garantia que participaria como convidado em visionamentos especiais e eventos relacionados com a temporada de prémios.

"O que quero pensar é que é uma questão de procedimentos. É um procedimento que quero seguir e que fui recusado pelos entrevistadores que me calharam. Quero pensar isso porque se conseguíssemos encontrar uma forma para um funcionário consular ou alguém na embaixada ver essas cartas de convites, se poderia perceber a figura artística que tenho e o intercâmbio cultural que se está a formar entre duas nações", notou.

Apesar das recusas, Guerrero mostrou-se feliz pelas 10 nomeações conquistadas por "Roma" e não desiste de encontrar uma solução antes da cerimónia marcada para 24 de fevereiro em Los Angeles.

"Estou super contente, Oxalá, oxalá, e digo-o com todo o meu coração, que a Yalitza ganhe o Óscar. Imaginem, estou a pensar mais sobre isso. E, eventualmente, se se puder resolver [o visto] era bom", concluiu.

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