Morreu William Goldman, um dos melhores e mais importantes argumentistas de filmes da história do cinema. Tinha 87 anos.

A informação foi avançada por amigos da família ao Deadline, que indicam que faleceu na quinta-feira à noite na sua casa em Nova Iorque, depois de vários meses com a saúde em declínio. Ao The Washington Post, a sua filha disse que sofria de pneumonia e cancro no cólon.

William Goldman ganhou o seu primeiro Óscar com um dos títulos que confirmou a chegada de uma "nova" Hollywood: "Butch Cassidy and the Sundance Kid" ("Dois Homens e Um Destino" em Portugal), o primeiro a juntar a dupla Paul Newman e Robert Redford.

O segundo Óscar foi com "All The President’s Men" ("Os Homens do Presidente"), um dos  filmes mais relevantes da década de 1970 nos EUA, com Robert Redford e Dustin Hoffman a interpretarem os jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward durante a investigação do caso Watergate, apenas quatro anos depois do sucedido, que levou à queda do presidente americano Richard Nixon.

Para além destes filmes de 1969 e 1976, contam-se entre os trabalhos mais conhecidos as adaptações de três livros seus: "Não Se Trata Assim Uma Senhora" (1968), "O Homem da Maratona" (1976) e "A Princesa Prometida" (1987).

Entre os seus créditos destavam-se ainda "Harper, Detective Privado" (1966), "O Grande Circo" (1975), "Mulheres Perfeitas" (1975), "Uma Ponte Longe Demais" (1977), "Misery - O Capítulo Final" (1990), "Chaplin" (1992) e "Maverick" (1994).

Nos anos 80, quando vários dos seus argumentos não foram filmados, William Goldman continuou a atividade como escritor, mas também se tenha tornado um dos mais importantes, procurados e remunerados "script doctors" de Hollywood, aperfeiçoando e reescrevendo os argumentos de outros sem receber o crédito.

Entre os exemplos conhecidos estão "Gémeos" (1988), "Uma Questão de Honra" (1992), "Proposta Indecente" (1993) e "O Último Grande Herói" (1993), mas também "Papillon" (1971).

Irmão mais novo de James Goldman, falecido em 1998 e que também foi dramaturgo e argumentista ("Um Leão no Inverno"), William Goldman acabou por ir parar a Hollywood após o impacto do seu romance "Boys and Girls Together" (1964).

Além dos argumentos, incluindo aqueles que não foram produzidos, deixa entre as obras publicadas algumas consideradas entre os melhores retratos do mundo do cinema: "Adventures in the Screen Trade" e "Hype and Glory", "Which Lie Did I Tell?" e "The Big Picture: Who Killed Hollywood? and Other Essays".

É dele uma das mais famosas frases sobre Hollywood, "Nobody Knows Anything" ["Ninguém sabe nada].

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.