No último Festival Internacional de Cinema “Plateau” em que estiveram em exibição 27 filmes, sendo quatro nacionais e 23 internacionais, apesar da campanha feita pela autarquia praiense “Nu Bai Cinema” [Vamos ao cinema], a Inforpress constatou algumas vezes sessões com sala “às moscas”.

Em declarações à Inforpress, Mário Benvindo Cabral afirmou que isto não é só um problema de Cabo Verde, mas é uma situação que se nota a nível mundial.

Conforme disse, basta ir até Lisboa, no cinema São Jorge, para ver no Festival “Festim”, em que são exibidos cerca de 20 a 30 filmes, às vezes apenas uma pessoa na sala.

Para este responsável, esta situação acontece porque hoje em dia o cinema tem vários concorrentes, como a televisão que oferece diversos tipos de filmes e as pessoas que não têm o hábito de ir ao cinema preferem ficar em casa.

“Estamos a passar por um período de desinteresse pelo cinema, por isso não há público. Para ir ao cinema é preciso ter gosto e vontade”, disse, ajuntando que é preciso criar novos públicos, isto é, trabalhar com as crianças e os jovens.

“Com essa geração que não vai ao cinema, não vamos conseguir grandes coisas, mas criando público junto das crianças e dos jovens, daqui a 10 anos, não vou dizer que teremos casa cheia, mas teremos algumas pessoas nas salas de cinema”, perspetivou.

Para combater esta situação, indicou, a ACACV vai desenvolver, este ano, um projeto “DOC For Kids”, destinado às crianças do ensino básico, em parceria com a Associação Para Documentário de Portugal (APORDOC).

A ideia, informou, é ter crianças com gosto para fazer e ir ao cinema. “É necessário mostrar que a nossa história só vai pendurar no tempo através do cinema, e se nós não contarmos a nossa história e fazer passar, daqui a 20 a 30 anos as próximas gerações não saberão como foi a história do nosso país”, defendeu.

Cabral defendeu ainda que é necessário que as autoridades continuem a promover atividades ligadas ao cinema, uma vez que só assim poderão combater um dos maiores concorrentes que é a televisão.