Se querem ganhar à Netflix, as salas de cinema têm de melhorar a experiência dos espectadores.

Esta foi a mensagem do realizador Edgar Wright aos proprietários dos cinemas (os exibidores) durante uma conferência que se realizou esta terça-feira (3) em Londres.

Grande defensor da experiência de ver filmes no grande ecrã, o cineasta de clássicos de culto como "Zombies Party" (2004), "Hot Fuzz" (2007) e "Baby Driver" (2017), disse que gosta de ver "algumas coisas da Netflix, mas a certa altura preciso sair do meu sofá" e vai ao cinema mais do que uma vez por semana.

Um hábito que, acrescentou, não percebe como não é mais seguido por colegas.

"Fico sempre espantado pela quantidade de pessoas que trabalham na indústria que não vão ver filmes com público. Ficariam surpreendidos pelo número de pessoas na indústria cinematográfica que não o fazem, isso é importante", defendeu, citado pelo Deadline.

Mas Edgar Wright também disse aos exibidores como é importante que proporcionem uma experiência de excelência em termos de qualidade de som e imagem.

"Tudo o que possam fazer para tornar isto mágico é realmente importante. Vocês não querem perder a batalha para a Netflix porque as pessoas vão ao cinema e sentem que não estão a tirar nada da experiência. É preciso que haja uma razão para querer entrar na sala e não assistir num iPhone no comboio", alertou.

O realizador também partilhou a frustração pela duração da publicidade exibida antes dos filmes e como esse o tempo-extra o leva, por vezes, a optar por vê-los em casa quando são mais longos.

"Percebo porque é que precisam de o fazer, mas os anúncios são demasiado longos, digo isto como um parceiro [...] não é com todos os exibidores, alguns são piores do que outros", notou, antes de acrescentar que ainda é pior quando vê anúncios a dizer às pessoas para ir ao cinema (“dar um sermão aos convertidos”) ou que mostram imagens do filme que se vai ver a seguir.

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