A primeira edição da Cena, uma mostra de filmes dirigidos por mulheres que visa dar mais visibilidade às mulheres cabo-verdianas no mundo cinematográfico e estimular outras mulheres a enveredar por este ramo, arrancou na manhã desta quinta-feira, 05, na cidade da Praia.

A abertura da mostra aconteceu na Escola de Negócios e Governação, com uma oficina produção cinematográfica destinada a jovens mulheres que foi presidida pela realizadora e produtora Samira Vera-Cruz.

No total 8 filmes são exibidos na mostra, sendo que “Some Kind of Funny Portoricans”, da homenageada Claire Andrade-Watkins, foi o primeiro a ser exibido.

São também exibidas as curtas-metragens “Amílcar Cabral: O artesão da liberdade” e “Oji” das cineastas Grace Ribeiro e Artemisa Ferreira, bem como uma ficção intitulada “Pan Sin Marmelada” (em português pão sem marmelada) que foi produzida em Cuba da realizadora Denise Fernandes, e, por último, o documentário “Home Stay” de Lolo Arziki que foi produzido em Cabo Verde, na ilha do Maio.

Docentes, estudantes universitários e pessoas ligados ao cinema, fizeram a plateia desta primeira edição da CENA, que para as cineastas é uma iniciativa louvável, visto que em Cabo Verde as mulheres no cinema ainda estão a dar os primeiros passos.

“É uma iniciativa muito importante porque hoje em dia há uma atenção especial para os filmes realizados por mulheres a nível internacional. É interessante saber que há mulheres realizadoras cabo-verdianas. Acho incrível que em Cabo Verde as mulheres tenham espaço para exibir os seus trabalhos”, congratula-se Denise Fernandes, a realizadora que é filha de cabo-verdianos, mas que nasceu em Lisboa.

O mesmo sentimento é partilhado pela realizadora e produtora Samira Vera-Cruz, natural de São Vicente.

“Hoje temos cada vez mais meninas a enveredar pelo cinema e pelo audiovisual, em geral. Isso mostra que as mulheres podem estar onde elas quiserem. Se tiver que fazer cinema que faça, se tiver que pegar nas câmaras que pegue, e isto não é uma questão de exigência onde uma mulher pode ser contratada só pelo facto de ser mulher, mas sim pela sua competência. Para tal temos de criar possibilidades para que as mulheres também possam estudar e aprender a fazer o cinema”, alega esta produtora.

Quem também se mostra feliz com a iniciativa é Artemisa Ferreira, realizadora e professora universitária. “A mulher sempre esteve presente no cinema mesmo estando atrás ou à frente das câmaras. Penso que mais tarde teremos mulheres no cinema em pé de igualdade com os homens que são mais dominantes no mundo cinematográfico e audiovisual”.

Questionadas sobre os desafios das mulheres no cinema face à predominância dos homens, as cineastas defendem que as mulheres têm o seu espaço e que futuramente haverá mais mulheres no cinema.

“É difícil afirmar-se no cinema e no audiovisual em geral, visto que ainda é um ramo maioritariamente masculino, principalmente em Cabo Verde onde não há uma indústria voltada para o cinema, mas onde as profissões mais técnicas são assumidas maioritariamente por homens, mas as coisas estão a mudar. Nota-se cada vez mais meninas a estudar o audiovisual, a pegar na câmara apesar de não terem uma motivação direta, mas penso que estamos a conseguir conquistar o nosso espaço”, assevera Samira Vera-Cruz.

“Apelo a todas as mulheres que sigam os seus sonhos, pois não é fácil, mas o essencial é correr atrás, procurar referências nesta área, apresentar ideias para que sejam concretizadas e abrir portas”.

“Acredito que a nível nacional o cinema vai fortalecer mais e que daqui a alguns anos possamos ter uma forte presença feminina no cinema onde possamos apresentar a nossa identidade, principalmente a nossa cultura que ainda está virgem (em termos de produção de cinema)”, salienta Artemisa Ferreira.

A cineasta Denise Fernandes realça que fazer cinema não é uma arte fácil e imediata, porque há muito trabalho por detrás de um filme. “Por exemplo, mesmo uma curta metragem que seja um trabalho de 15 minutos, pode levar anos de trabalhos, de preparação e de recursos. Esta é uma arte especialmente feita com o auxílio de técnicos e autores que são homens, mas há espaço para todos no cinema e todos têm espaço e direito de exercer esta arte”.

Por sua vez, a organizadora da mostra de CENA, a jornalista Chissana Magalhães diz que o sentimento é de muita satisfação desta primeira edição e que pretende continuar com o projeto. “Apesar de não termos muito financiamento agradeço a todas as pessoas que tem estado a endereçar um feedback positivo e a parabenizar esta iniciativa”.

A promotora realça a confiança depositada pelas cineastas em abraçar esta iniciativa, agradecendo os parceiros e a todas as realizadoras que fizeram parte desta primeira edição da mostra de filmes, lamentando a ausência de Claire Andrade-Watkins.

A primeira edição da Cena termina hoje, sexta-feira, 06 de março.

Edna da Veiga/Estagiária

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