Apesar de ser a personagem principal de
«Indomável», o facto do filme marcar a estreia de Hailee Steinfeld no cinema de longa-metragem permitiu ao estúdio propô-la ao Óscar de Melhor Actriz Secundária, em que teria mais probabilidade de ser aceite do que na categoria principal. O esquema resultou e
Hailee Steinfeld, de 14 anos, é a mais jovem nomeada ao Óscar de 2011 e uma das mais novas de sempre. No novo filme dos irmãos
Joel e
Ethan Coen, adaptado do romance
«True Grit», de Charles Portis, Hailee interpreta Mattie Ross, uma jovem de 14 anos que contrata um marshall alcoólico (
Jeff Bridges) para ir atrás do assassino do seu pai.

A escolha para o filme

«Eu cheguei mesmo no final do processo de audições. Fiz a audição na primeira semana de Janeiro de 2010, e duas semanas depois chamaram-me para ler com a Ellen Shanoweth, que fez o casting do filme. Disseram-nos que ouviríamos alguma coisa daí a um mês e cinco semanas depois eu fui chamada para ler para os irmãos Coen. Durante essas cinco semanas eu ainda estava a trabalhar no material, mesmo sem saber se ia ser chamada ou não, para estar 100% preparada caso isso acontecesse. Depois de ter lido com o
Jeff Bridges, o
Barry Pepper e o Dakin Matthews, que interpreta o Stonehill, li para os irmãos Coen. Essa foi a minha última audição e foi num Sábado. Disseram-me que tinha ficado com o papel na terça-feira e partimos duas semanas depois para rodar o filme.»

Receios de estreante

«Eu estava muito nervosa no início mas os irmãos Coen, o
Jeff Bridges, o
Josh Brolin e o
Matt Damon fizeram-me sentir muito à vontade, nunca me deixaram intimidada, o que foi óptimo. Depois de os conhecer, eles foram tão simpáticos que todos os medos se desvaneceram.»

O primeiro dia de rodagem

«O primeiro dia, na verdade, foi muito fácil. Filmámos apenas um plano de reacção, portanto eu não tinha deixas, o que foi bom para o primeiro dia. Foi divertido. Lembro-me sempre que depois do primeiro take da primeira cena que rodámos, o Jeff olhou para mim e disse: 'esta foi a primeira cena da tua primeira longa-metragem'. E no fim, quando terminámos, no último dia, na última cena, quando o primeiro assistente de realização disse «esta foi a última cena da Hailee no filme», isso fez-me recuar àquele primeiro dia. Acho que é algo de me que vou lembrar sempre.»

Uma menina entre homens

«Foi muito bom conviver com eles. O Jeff, o Josh e o Matt têm filhas e fizeram-me sentir como sé eu fosse uma delas. Foram todos óptimos comigo, e a minha mãe esteve sempre comigo. São como miúdos grandes, era sempre tão divertido estar com eles que nem sequer pensei 'não é divertido ser a única menina'.»

Trabalhar com os irmãos Coen

«É muito interessante a forma como eles trabalham. Eles concordam sempre um com o outro e estão sempre muito abertos a sugestões. Um diz 'o que achas, Ethan?', o outro responde 'fixe, queres tentar aquilo?'. São excelentes.»

O livro original

«Quando fiz o casting não tinha lido o livro. Quando ouvi falar do projecto do «True Grit», dos irmãos Coen, fui ver o filme original,
«A Velha Raposa». Só li o argumento quando consegui o trabalho e depois li o livro no avião a caminho das filmagens. »

Preparação para o filme

«O mais difícil foi trabalhar no diálogo. Tive de percorrer o guião e certificar-me de que percebia mesmo tudo o que cada frase significava, porque se eu alterasse alguma coisa, se houvesse alguma deixa que eu não percebesse, isso podia alterar todo o ambiente da cena. Tentei perceber como tudo aquilo se relacionava comigo para que eu pudesse ir retirar à minha própria vida experiências que dessem conteúdo à personagem. E tentei construir o que acontecia à personagem antes do filme para que não parecesse emocionalmente que a personalidade dela vinha do nada. Quanto às coisas mais práticas, o principal talvez tenha sido montar a cavalo mas eu como eu já o tinha feito alguns anos atrás, só foi preciso duas semanas e meia de lições antes de ir filmar.»

Trabalhar com cobras

«Isso foi divertido, porque no dia em que estávamos a filmar a cena com as cobras, todos me perguntavam se eu tinha medo delas. Eu tenho medo de cobras como tenho medo de aranhas, tenho medo mas nunca estive em contacto com uma. Mas isso foi-me útil porque se eu estivesse na posição daquela rapariga eu teria medo, por isso servi-me disso para compor a personagem. Já agora, as cobras usadas no filme são as mesmas que aparecem no filme
«Serpentes a Bordo». »

O Jarro dos Maus Rapazes

«Comecei com isso cerca de um mês e meio depois do início da rodagem. Todos os homens no set diziam asneiras regularmente e sem pensar, acho que lhes saía. Eu não estou habitada a ouvir isso e a minha mãe estava preocupada que eu começasse a a dizer palavrões, o que não sucedeu. E eu lancei a ideia do «Jarro dos Maus Rapazes»: cada vez que algum deles dissesse a palavra «F...» tinha de colocar cinco dólares no jarro, se dissessem qualquer outra asneira colocavam um dólar. Acho que no fim fiz 300 e tal dólares e doei-os a uma associação para doentes de Alzheimer.»

A obra dos Coen

«Bom, a verdade é que eu não tinha visto muitos dos filmes deles, porque a maioria tem a classificação de R [Restricted, que obriga a que os menores de 17 anos sejam acompanhados por um adulto], portanto não me é permitido vê-los. Mas estava muito familiarizada com quem eles eram e com a importância do trabalho deles. Percebi que trabalhar com eles era o sonho de muita gente e tornou-se o meu. O meu filme favorito deles é, provavelmente, o
«Arizona Junior». Vi bocados do
«Este País Não é para Velhos», vi um pouco do
«Fargo», mas creio que não vi mais nenhum completo.»

O início de uma paixão

«Eu comecei aos oito anos, porque tinha um prima que fazia anúncios na altura e também um amigo próximo da família que fazia muito teatro. Quando vi uma pessoa que eu conhecia e com quem tinha crescido a fazer uma coisa tão espantosa, achei que também seria capaz de fazer aquilo, que os sonho realmente se realizam. Aquilo foi muito inspirador para mim. Fui ter com os meus pais e perguntei-lhes se podia começar a actuar. Eles fizeram-me estudar actuação um ano inteiro antes de darmos qualquer outro passo, só para saber se aquilo era um desejo consistente e se eu não desistia, até porque até àquela altura eu tinha tentado todo o tipo de dança de desporto e nunca me tinha mantido fiel a nada. E resultou.»

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