Em conferência de imprensa na cidade da Praia, de antevisão sobre a deslocação ao Brasil, onde na quarta-feira vai receber o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal de Ouro Preto, de Minas Gerais, Jorge Carlos Fonseca disse que está a preparar uma mensagem de felicitações à atriz cabo-verdiana pela marca que deixa num filme com o seu nome e que também foi galardoado com o Leopardo de Ouro.

O chefe de Estado realçou ter ficado satisfeito e salientou que, sendo Cabo Verde um país pequeno, esse tipo de menções "não pode passar ao lado".

Desejando sucessos a Vitalina Varela, o Presidente da República notou que a atriz está a deixar a sua marca numa área, o cinema, onde Cabo Verde tem de singrar.

"Vitalina Varela" é a história de uma mulher da ilha de Santiago que viveu grande parte da vida à espera de ir ter com o marido, Joaquim, emigrado em Portugal. Sabendo que ele morreu, Vitalina Varela chegou a Portugal três dias depois do funeral dele, lê-se na nota de imprensa da produtora, a Optec Filmes.

No filme, Vitalina Varela retrata muitos dos problemas por que passam os emigrantes cabo-verdianos em Portugal, o que para Jorge Carlos Fonseca é reflexo na nação diaspórica que é Cabo Verde.

"Dificilmente nós conseguimos falar do nosso país, de proezas, vitórias, desafios, sofrimento no percurso da nossa nação sem falarmos das comunidade cabo-verdianas no exterior e na diáspora. Somos um país diáspora em todos os aspetos da nossa vida coletiva”, acrescentou.

Numa mensagem publicada na sua página no Facebook, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, felicitou os premiados e disse que, "mais uma vez, Cabo Verde e suas gentes estiveram na centralidade de uma vitória do cinema português".

"Quero dar os meus parabéns ao realizador Pedro Costa pelo Leopardo de Ouro atribuído ao seu filme ‘Vitalina Varela’. Quero dar os meus parabéns pelo olhar cuidado e intimista sobre as nossas figuras que partem, sobre as ‘estórias' que ficam e sobre as ‘estórias' que com elas também viajam", escreveu o governante, referindo ao prémio como uma "grande conquista".

Para o titular da pasta da Cultura cabo-verdiana, "está provado que uma boa história representada por uma personagem real ganha autenticidade e dá prémios internacionais".

Abraão Vicente considerou ainda que é "preciso reconhecer o talento e o mérito da Vitalina que ganha o prémio, como pessoa, como percurso, como história de vida, como talento e como exemplo".

Para que o cinema cabo-verdiano seja espelho dessas histórias, o governante referiu que é necessário "mudar o ‘chip’" e seguir Pedro Costa, que deu o exemplo de que "fazer bons filmes não está dependente do orçamento ou de apoios".

"Tenho a plena convicção de que há uma nova geração de cineastas cabo-verdianos que irá revolucionar a nossa cena cinematográfica", concluiu o ministro da Cultura.

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