A propósito da estreia, Terry Gilliam recordou, em entrevista à publicação Indiewire, o processo rocambolesco de três décadas para concretizar o projeto cinematogrráfico, que chegou a envolver o produtor português Paulo Branco.

No entender de Terry Gilliam, toda a disputa legal por causa dos direitos do filme "assustou muitos distribuidores", incluindo a Amazon Studios, que chegou a entrar no projeto, mas recuou na distribuição.

O realizador e Paulo Branco têm uma disputa legal há longos meses por causa deste filme. O produtor português assinou contrato para produzir o filme, em 2016, mas o processo saiu gorado. Terry Gilliam pediu a anulação do contrato de produção com a produtora Alfama Films e seguiu a produção e rodagem do filme com outros produtores.

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Enquanto corriam processos judiciais no Reino Unido, em França e em Espanha, com Paulo Branco a ver confirmada a validade do contrato assinado, o filme teve a estreia mundial em maio do ano passado no Festival de Cinema de Cannes (França) e foi selecionado para outros festivais (Austrália e República Checa, por exemplo).

Chegou às salas de cinema em França, em Espanha e agora nos Estados Unidos. Não há ainda data de estreia do filme em Portugal.

Sobre todo este processo judicial, Paulo Branco descreveu-o à Lusa como "inacreditável e único na história da produção europeia" de cinema.

"O Homem que Matou D. Quixote" é um projeto antigo de Terry Gilliam, que remonta a 1989 e cuja produção sofreu sucessivos solavancos e interrupções, com problemas com elenco e com financiamento, sendo descrito pela imprensa especializada como um filme amaldiçoado.

O filme foi rodado em Portugal e em Espanha, e conta com interpretações de Jonathan Pryce, Adam Driver, Olga Kurilenko e da atriz portuguesa Joana Ribeiro, entre outros.