"Era Uma Vez... em Hollywood" é uma das histórias de sucesso de 2019 nos cinemas, nas bilheteiras e junto dos espectadores (Portugal é um dos países onde foi popular: com 280.555 espectadores, está no TOP10).

Este mês, o filme chega ao formato digital e Quentin Tarantino está a dar uma ajuda na divulgação.

No podcast de Margaret Cho, o realizador revela o que pensa ter acontecido a seguir ao fim do filme a Rick Dalton, a envelhecida estrela de televisão que tinha como vizinhos a atriz Sharon Tate (Margot Robbie) e o seu marido, o cineasta Roman Polanski.

E desiluda-se quem imaginou que uma nova oportunidade de carreira estava à espera da personagem interpretada por Leonardo DiCaprio: apesar de ser uma carta de amor à Los Angeles do verão de 1969 e reescrever certos eventos históricos, Tarantino mantém-se realista sobre a indústria do cinema.

"Mesmo que ele tivesse um bocadinho mais de sucesso nos anos 70 do que provavelmente lhe daria crédito, o que realmente vejo poder ter acontecido, porque aconteceu com muitos destes tipos, é que no final dos anos 70, início dos 80, muitas destas estrelas masculinas protagonistas da televisão dos anos 50 e 60 voltavam a aparecer outra vez nas séries, mas como o polícia envelhecido que é o chefe do agente mais jovem que manda em missões", explicou, usando como exemplo o capitão Captain Dobey da série "Starsky and Hutch".

Tarantino revela ainda que é provável que, no final do filme, a mentalidade de Rick Dalton já estivesse mudado o suficiente para considerar propostas no cinema que provavelmente teria rejeitado anteriormente, dando como exemplo a personagem de Joe Buck no controverso "O Cowmboy da Meia-Noite", que acabaria por ganhar os Óscares de 1969.

O espírito mais aberto poderia estar relacionado com o facto de ter recusado projetos que acabaram por conduzir a outros maiores para atores que arriscaram.

Confirmando a atenção aos detalhes, Tarantino chegou mesmo a imaginar uma situação em que o lendário produtor e realizador de "série B" Roger Corman tentou convencer Rick a fazer "Devil's Angels", sobre uma guerra de motociclistas numa pequena cidade, e ele recusou por ser tão bizarro.

John Cassavetes ficaria então com o papel (como aconteceu na realidade) e por isso faria a seguir "A Semente do Diabo" (1968)... de Roman Polanski.

Um papel que Rick Dalton teria dado tudo para fazer, garante o realizador.

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