Antonio Banderas ficou "surpreendido" por ter sido nomeado para os Óscares com "Dor e Glória".

Em Málaga por causa dos ensaios finais para o musical "A Chorus Line", que estreia esta terça-feira na sua nova sala de espetáculos Teatro del Soho, o ator explicou ao Deadline que não estava à espera não só porque tem estado relativamente ausente de Los Angeles e da campanha que é necessário fazer para ter visibilidade na temporada dos prémios, mas também porque o filme é falado em castelhano.

Banderas está na categoria de Melhor Ator com Adam Driver ("Marriage Story"), Joaquin Phoenix ("Joker"), Jonathan Pryce ("Dois Papas") e Leonardo DiCaprio ("Era Uma Vez em... Hollywood").

"Dor e Glória" foi nomeado ainda para Melhor Filme Internacional, tal como "Parasitas", da Coreia do Sul, que ainda concorre a Melhor Filme e outras quatro categorias.

Mas a lista das nomeações foi criticada pela falta de diversidade por causa de várias ausências, como a de "A Despedida", falado em inglês e mandarim, completamente excluído da corrida.

O ator, nomeado pela primeira vez para os Óscares aos 59 anos, é da opinião de que as mudanças levam tempo e aludiu às recentes alterações na Academia, com a inclusão de mais votantes não americanos.

"Há este momento em que os Óscares se estão a tornar os grandes prémios a nível mundial, não apenas americanos, mas mundiais. No entanto, é lógico que demora tempo a adaptar e ver qual é o futuro destes prémios importantes. Vai ser muito interessante ver se realmente abarca todo o mundo", explicou.

O ator sabe do que está a falar: após cinco filmes com Pedro Almodóvar nos anos 80, incluindo "Ata-me!", que lhe abriu as portas para fora de Espanha, partiu para os EUA, apesar dos seus conhecimentos de inglês serem básicos, com a ambição de forjar uma carreira em Hollywood.

Esta era a época em que era preciso triunfar na meca do cinema para se tornar uma grande estrela e entrar nos grandes projetos.

Banderas ajudou a abrir as portas para outros compatriotas e o próprio cinema espanhol: alguns anos mais tarde, atores como Penélope Cruz e Javier Bardem começaram a entrar em produções americanas, mas já sem a necessidade de se transferir de armas e bagagens para os EUA.

No entanto, acabou por ser o oitavo filme na relação de 40 anos com Almodóvar que o colocou na rota dos Óscares, com uma personagem, Salvador Mallo, inspirada no próprio cineasta.

É o auge da relação artística, mas sobre a possibilidade de novos projetos, Banderas diz simplesmente que "a porta está sempre aberta. Nunca lhe iria telefonar para lhe dizer 'Tens alguma coisa para mim?' Se ele precisa de mim é porque precisa de mim e entrará em contacto comigo. E ele sabe disso."

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.