"Um testemunho devastadoramente poderoso e convincente", descreveu a Variety. Para o The Guardian, "seja qual for a verdade, como documentário, é um trabalho surpreendente".  Já a revista Rolling Stone, frisa que é difícil não ter uma opinião diferente sobre o homem no centro do documentário: "é difícil não nos sentirmos como se uma bomba tivesse sido lançada".

"É possível que tenhamos passado os últimos 26 anos a preparar-nos para este momento", acrescenta Wesley Morris, fã de Michael Jackson e crítico do The New York Times.

As opiniões e críticas sobre "Leaving Neverland" terminam todas com a mesma conclusão: fãs ou não fãs de Michael Jackson vão ter um sentimento diferente em relação ao artista, considerado por muitos como o 'rei da pop', depois de assistir ao documentário.

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"Leaving Neverland" revela crimes de abuso sexual de crianças que o cantor Michael Jackson terá cometido. O documentário de Dan Reed, que estreou há uns dias nos Estados Unidos e chega esta sexta-feira, dia 8 de março, à HBO Portugal, conta com depoimentos de duas alegadas vítimas - Wade Robson, 36 anos, e  James Safechuck, 41 anos.

"Baseado nas alegações de abuso sexual contra Michael Jackson a crianças, que começaram a surgir em 1993, o documentário retrata de forma separada, mas em paralelo, as histórias de James Safechuck (10) e Wade Robson (7), ambos ajudados por Michael Jackson, que os convidou para o seu mundo único e de conto de fadas, numa altura em que a sua carreira estava no auge", explica a HBO Portugal.

Leaving Neverland

Em comunicado, o serviço de streaming acrescenta que "através de entrevistas angustiantes com as duas crianças, agora dois homens adultos, e as suas famílias, que não sabiam da manipulação e abusos a que eles estiveram sujeitos durante anos, 'Leaving Neverland' apresenta um retrato deste período complicado e que levou os dois homens a confrontarem os abusos que sofreram, apenas quando foram pais".

Dez anos depois da sua morte - o cantor morreu em 2009, aos 50 anos, altura em que começou recuperar da má reputação que durante anos o perseguiu -, o documentário de quatro horas, é baseado em depoimentos e provas de que o cantor terá abusado sistemática e reiteradamente de crianças.

O documentário centra-se no doloroso testemunho de dois homens, Wade Robson e James Safechuck, que dizem ter sido abusados durante anos por Michael Jackson, desde muito jovens. O coreógrafo australiano Wade Robson, agora com 36 anos, revelou que o músico abusou sexualmente dele desde os 7 anos de idade e que o violou até aos 14 anos, enquanto James Safechuck, de 40 anos, declarou que Michael Jackson abusou dele “desde os 10 até perto dos 14”.

Leaving Neverland
créditos: HBO

"Se alguém descobre alguma vez o que estamos a fazer, tu e eu poderemos ir parar à prisão"

O australiano Robson, atualmente um reconhecido coreógrafo, conheceu Jackson depois de ganhar um concurso de dança quando tinha cinco anos. Aos sete, foi convidado pelo artista para visitar a sua mansão Neverland, na Califórnia, onde, segundo Robson, começou o abuso.

Robson contou que "cada vez que estava com ele, cada vez que ficava à noite com ele" era abusado, acrescentando que o cantor o acariciava, “tocando-lhe no corpo todo” até que aos 14 anos o violou.

Michael Jackson
Na foto: James Safechuck

O australiano revelou ainda que o cantor lhe fez crer que entre eles havia amor e que lhe chegou a dizer: "se alguém descobre alguma vez o que estamos a fazer, tu e eu poderemos ir parar à prisão para o resto das nossas vidas".

Safechuk, que garante que as relações se iniciaram quando tinha 10 anos, após participar num anúncio da Pepsi com Michael Jackson, conta uma história similar, assinalando que o cantor lhe disse que se alguém soubesse o que estava a acontecer entre eles, as suas vidas "acabariam".

"Tudo isto era aterrador para mim. A ideia de me separar de Michael, este homem, esta figura de outro mundo, este deus para mim, que agora se havia tornado o meu melhor amigo, de maneira nenhuma eu iria fazer algo que nos afastasse", acrescentou, sublinhando que o músico era um “mestre em manipulação”.

Família do cantor diz que não provas

A família do músico já veio entretanto afirmar que não há quaisquer "provas" que confirmem estas acusações contra o cantor, enquanto os gestores do seu património encetaram uma guerra contra “Leaving Neverland”.

Segundo o The New York Times, além de uma série de declarações inflamadas feitas na altura da estreia do filme em Sundance, os gestores patrimoniais – cujos beneficiários são a mãe de Michael Jackson e três filhos, bem como instituições de caridade para crianças - entraram com uma petição no Tribunal Superior de arbitragem de Los Angeles, pedindo 100 milhões de dólares de indemnização à HBO. Os responsáveis criticam o facto de todo o documentário ser suportado apenas pelos testemunhos destes dois homens, que acusam de “mentirosos”.

Décadas de negação 

Esta é primeira vez desde a morte do cantor em 2009, aos 50 anos por overdose, que este assunto vem à luz. Enquanto estava vivo, o artista enfrentou acusações semelhantes nos tribunais.

Em 1993, Jackson foi acusado de abusar de um rapaz de 13 anos e encerrou o caso com um acordo extrajudicial. Nesse processo Robson e Safechuck testemunharam a favor do músico, garantindo que ele nunca havia tocado neles. Em 2003, num novo julgamento, Safechuk não se pronunciou, mas Robson voltou a defender Jackson, que foi absolvido.

Apesar de terem sido consultados em várias ocasiões pelas autoridades e familiares, nenhum dos dois mudou a história até há pouco tempo, quando se tornaram pais.

Ambos tentaram abrir novos processos, mas as ações foram rejeitadas pelo alegado crime ter prescrito.

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