Dos realizadores Filipa Reis e João Miller Guerra, o filme começou a ser desenhado há cinco anos.

“A ideia surge quando o meu pai morre, há cinco anos. Já conhecíamos o Miguel [personagem principal], que faz dele mesmo. Isto é uma história muito inspirada na história real do Miguel e conhecíamos bem a história do Miguel”, disse João Miller Guerra.

Em declarações à agência Lusa, João Miller Guerra contou que tinha ao seu lado “uma pessoa que não conhecia o seu pai e o seu pai estava vivo”.

“Eu e a Filipa [Reis] tivemos a ideia de propor ao Miguel contar esta aventura de surgir à procura do pai em Cabo Verde, sem saber onde o pai está, com uma vaga ideia de onde ele está”, prosseguiu.

Ao longo do filme, coloca-se a questão da identidade: “É sobre essa troca de identidade, pertencer-se a um sítio onde nunca se esteve, ao mesmo tempo em que se nasce num sítio em que nos é dito que não nos pertence”.

O filme é uma coprodução entre Portugal, Cabo Verde e Brasil e 90% foi rodado em quatro ilhas do arquipélago cabo-verdiano: São Nicolau, São Vicente, Santo Antão e Santiago.

Para João Miller Guerra, “a dualidade de cenários enriquece o filme, até porque são cenários bem diferentes e daí a riqueza”.

“Estamos num alto contraste entre um Portugal de inverno, frio, e um Cabo Verde sempre em verão, quente, que se vai tornando cada vez mais desértico e as pessoas vão-se deixando ir e desaparecendo na paisagem, e vai ficando só o Miguel e o filme torna-se cada vez mais interior”, declarou.

“O filme é bastante ancorado na história de Miguel, que vivia em Lisboa, Portugal. E havia que o caracterizar bem em Portugal, para que quando arrancássemos com ele para Cabo Verde o espetador sentisse que já o conhecia e compreendesse melhor esse movimento de procura pelo pai, de busca interior, sabendo sempre o que deixa para atrás, em Portugal”, prosseguiu.

Sobre o que a produção foi ganhando com as vivências dos locais por onde foi sendo rodada, o realizador reconhece que as surpresas foram incluídas, embora já existisse “um trajeto, um percurso”, previamente definido.

“Estava escrito que [Miguel] não encontrava o pai, mas que se tornaria ele próprio pai”, disse.

Sobre a apresentação do filme em Cabo Verde, o realizador referiu que é “da máxima importância”, pois “é devolver o filme às pessoas”.

“O filme é um trabalho de colaboração entre todos, não só a equipa, como as pessoas que nos acolhem. Abrir o festival [de cinema da Praia, na ilha de Santiago] é uma enorme honra e estamos muito contentes”, disse.

Em declarações à Lusa, Miguel Moreira disse nunca ter tido dúvidas sobre a sua cultura, tal como não tem “ninguém em Portugal que é cabo-verdiano”.

Sobre a personagem que interpreta, reconheceu que teve a vida facilitada: “Vesti a minha própria pele”.

Miguel Moreira acrescentou que a sua personagem “sente-se africana em toda a parte do mundo, porque toda a parte do mundo cabe dentro de África”.

"Djon África", a primeira longa-metragem de ficção realizada por Filipa Reis e João Miller Guerra, estreia nas salas de cinema portuguesas no dia 29 de novembro.

O filme estreou-se em janeiro no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, na Holanda, integrado na principal competição deste certame.

Depois, “Djon África” foi exibido no festival "Novos Realizadores/Novos Filmes", que decorreu de 28 de março a 08 de abril em Nova Iorque.

Nessa altura, integrou a lista de filmes que o jornal norte-americano The New York Times considerou que era “preciso ver” naquele festival, no qual foram exibidas 25 longas e dez curtas-metragens, de 29 países dos cinco continentes.

Em abril, “Djon África” recebeu dois prémios no 36.º Festival de Cinema do Uruguai, em Montevideu.

Em agosto, “Djon África” foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Melbourne, na Austrália.

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