Uma comédia de zombies com Bill Murray, Adam Driver e Tilda Swinton, abre esta terça-feira o Festival de Cannes, depois de Javier Bardem e Charlotte Gainsbourg darem o pontapé inicial desta edição carregada de pesos pesados da Sétima Arte.

No total, 21 filmes vão disputar a cobiçada Palma de Ouro, decidida por um júri presidido pelo cineasta mexicano vencedor dos Óscares Alejandro González Iñárritu.

"A seleção é excelente e teremos um trabalho difícil", disse Iñárritu na conferência de imprensa antes da abertura do evento, recordando que a sua primeira vez em Cannes foi há 20 anos com "Amor Cão".

O diretor de "The Revenant" também falou sobre as novas formas de assistir aos filmes.

"Há uma variedade de formatos e temos que ter em mente que os filmes têm de ser mostrados em todo o mundo", explicou, referindo-se a plataformas como a Netflix, excluída do Festival desde 2018 e cuja polémica continua a pairar sobre o evento.

Outra controvérsia atingiu o Festival, desta vez em torno do ator francês Alain Delon, que receberá uma Palma de Ouro honorária pela sua carreira. O grupo feminista Women and Hollywood criticou-o pelas suas declarações "racistas, homofóbicas e misóginas" feitas no passado.

Os organizadores saíram em defesa desta lenda do cinema francês, de 83 anos, que disse, por exemplo, que a homossexualidade é "antinatural": o seu presidente, Pierre Lescure, declarou ao jornal Libération que Delon "pode fazer uma série de declarações, mas também tem um certo número de ações na sua vida".

Tarantino versus Almodóvar

O americano Jim Jarmusch abrirá o festival com "Os Mortos Não Morrem", que mostra em forma de comédia como os mortos numa cidade pequena saem das suas sepulturas para atacar selvaticamente os vivos. Chloë Sevigny, Steve Buscemi, Danny Glover, Iggy Pop, Selena Gomez e Tom Waits estão no elenco.

Figura de destaque do cinema independente americano, Jarmusch é um assíduo da Croisette, onde em 1984 ganhou a Câmara de Ouro por "Para Além do Paraíso" e em 2005 conquistou o Grande Prémio do Júri com "Flores Partidas".

O seu compatriota Quentin Tarantino, outra figura carimbada de Cannes, apresentará o seu tão aguardado "Era uma vez em... Hollywood".

O filme, incluído na seleção no último instante, recria Los Angeles de 1969 e tem como estrelas Leonardo DiCaprio e Brad Pitt, que atuam juntos pela primeira vez.

O espanhol Pedro Almodóvar é outro dos grandes nomes em competição. Com "Dor e Glória", protagonizado por Antonio Banderas e Penélope Cruz, aspira pela sexta vez ao maior prémio. O filme, o mais introspectivo da sua filmografia, já foi lançado na Espanha, onde obteve grande sucesso.

Entre os candidatos à Palma também estão o americano Terrence Malick e seu "A Hidden Life", ambientado na Segunda Guerra Mundial, e o britânico Ken Loach e seu drama social "Sorry we missed you".

Os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, que como Loach têm duas Palmas de Ouro, competirão com "Le jeune Ahmed".

Quatro mulheres e brasileiros na competição

Bacurau

Dos 21 filmes em competição, quatro foram realizados por mulheres, entre elas a austríaca Jessica Hausner e a franco-senegalesa Mati Diop, a primeira realizadroa negra competindo pela Palma de Ouro na história das 72 edições da mostra.

Além de Almodóvar, outro filme latino-americano concorre à Palma de Ouro, "Bacurau", dirigido pelos brasileiros Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, com Sônia Braga no elenco.

Se não faltam diretores de renome no programa do festival, a passadeira vermelha e as suas estrelas deverão atrair todas as atenções.

Entre atores e cineastas, "La Croisette" receberá este ano vários gigantes do mundo da música, como o britânico Elton John, que vai apresentar um "biopic" sobre a sua vida, "Rocketman", e o vocalista do U2, Bono, com o documentário "5B" sobre a luta contra a Sida.

Já o lendário jogador de futebol argentino Diego Maradona desfilará para apresentar o documentário do britânico Asif Kapadia sobre os seus gloriosos anos no Nápoles.