"Bohemian Rhapsody" foi um enorme sucesso de bilheteira e até acabou por ser o filme mais premiado nos Óscares: além da interpretação de Rami Malek como Freddie Mercury, foram ainda mais três estatuetas pela Montagem de Som, Mistura de Som e Montagem.

É o último prémio que tem vindo a ser bastante criticado desde a cerimónia e há um momento que se destaca.

Em pouco menos de dois minutos, o editor John Ottman fez 60 cortes que dão um ritmo bizarro à cena do primeiro encontro dos Queen com o manager John Reid.

Pelo menos "online", a cena tornou-se viral e um "exemplo" do que não deve ser... um "Óscar de Melhor Montagem".

Recentemente, contaram a John Ottman e a reação não deixou dúvidas.

"Meu Deus! Não sabia disso, mas sei porque é que anda por aí. Sempre que a vejo quero colocar um saco na cabeça. Porque aquela não é a minha estética. Se alguma vez existir uma versão estendida do filme onde possa voltar a colocar algumas coisas, irei reeditar essa cena!", garantiu ao The Washington Post [conteúdo fechado].

Segundo o editor, essa foi uma das sequências refilmadas por Dexter Fletcher, que substituiu o primeiro realizador, o despedido Bryan Singer, quando uma parte da história foi reordenada.

Ottman também disse que estava pressionado para apressar a primeira parte de "Bohemian Rhapsody", pelo que algumas cenas ficaram montadas de forma mais esquisita.

Curiosamente, quando o filme foi mostrado ao público em sessões de teste, a reação foi que gostaram de saber sobre os primeiros anos dos Queen.

Por causa disso, Ottman teve de voltar às cenas e reduzir o ritmo, mas por falta de tempo, não conseguiu fazer o mesmo com aquela que tem vindo a ser tão gozada.

Um ensaio em vídeo de Thomas Flight lançado na última quinta-feira dissecou com profundidade a cena, concluindo que apesar de provavelmente a culpa até ser mais do realizador ou do diretor de fotografia, que não filmaram material suficiente para dar mais opções, o Óscar de Melhor Montagem não foi merecido.

"A montagem é difícil de avaliar. Uma boa montagem raramente devia chamar a atenção. Uma boa montagem conta a história de uma forma eficaz. E quando um filme é bem editado, normalmente saímos dele a dizer 'foi um bom filme', não 'aquela montagem foi boa'. Portanto, contra-intituivamente, às vezes o Óscar acaba por ir parar a filmes com 'a montagem que mais se destaca', o que normalmente não é o filme com a melhor montagem", explica Thomas Flight.

"Houve muita controvérsia durante a produção deste filme, portanto posso perceber como é que acabou por ficar como ficou. É mais fácil escolher uma parte de má montagem do que é editar uma cena que não é bem filmada, mas um Óscar para Melhor Montagem para este filme é completamente imerecida. Em última análise, uma montagem como esta é desrespeitosa para com os espectadores. Assume que a nossa capacidade de reter atenção é tão curta que é preciso fazê-lo com rápidas e vistosas montagens", conclui.