A atriz americana Angelina Jolie fez um apelo esta terça-feira (5) para que Myanmar [Birmânia] demonstre uma "verdadeira vontade" de deter o ciclo de violência contra os rohingyas durante uma visita aos campos de refugiados no Bangladesh.

Jolie chegou na segunda-feira como enviada especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) ao Bangladesh, um país pobre do sudeste asiático onde quase um milhão de rohingyas vivem em enormes barracas após terem fugido de perseguições contra a sua comunidade muçulmana no vizinho Myanmar.

"Apelo às autoridades de Myanmar para mostrarem a verdadeira vontade necessária para pôr fim ao ciclo de violência e de deslocamentos, e a melhorar as condições para todas as comunidades no estado de Rakain", de onde provêm os rohingyas, disse a atriz.

Durante sua visita aos acampamentos do distrito de Cox's Bazar [sul], que chegaram a abrigar 740.000 pessoas no fim de 2017, Angelina Jolie teve uma série de encontros com refugiados, entre os quais mulheres violentadas por militares birmaneses.

"Foi profundamente perturbador encontrar famílias que toda a vida só conheceram a perseguição e ser apátridas, que contam que foram tratadas como gado", declarou a atriz de 43 anos à imprensa.

Em agosto de 2017, ameaçados pelo exército e por milícias budistas, mais de 720.000 rohingyas fugiram de Myanmar para se refugiar em Bangladesh, onde vivem em condições precárias em enormes acampamentos.

Bangladesh e Myanmar assinaram um acordo que prevê a repatriação de 2.260 Myanmar a partir de 15 de novembro passado ao ritmo de 150 por dia.

Mas a ONU considera que não estão dadas as condições para esse retorno.

Jolie encerrará sua viagem ao Bangladesh na quarta-feira com uma reunião com a primeira-ministra Sheikh Hasina, informou a ONU em comunicado.

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