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Etelvina Lopes, a youtuber por detrás de “Divagar na mundo”

Etelvina Lopes é uma das poucas mulheres, cabo-verdianas, a aventurar-se a fazer vídeos, de humor, no YouTube. Ficou conhecida pela expressão “Divagar na mundo” e os seus vídeos têm milhares de visualizações.

créditos: cedida

Vive em França desde 1993 mas Etelvina Lopes, Etel para os amigos, é crioula de gema, natural de Santiago, zona de Coqueiro, na Praia. Diz que foi, inicialmente, apenas para conhecer Tour Eiffel mas que gostou tanto do país que resolveu ficar.

“França é um bom país para se viver … mas tem as suas dificuldades. Só os corajosos vêm e ficam”, considera.

Começou a gravar os vídeos e a postá-los na internet há cerca de um ano, depois da perda de um irmão. “Estava bastante em baixo e triste. Passava os meus dias dentro de casa a chorar. Foi aí que lembrei-me das coisas que os meus amigos e familiares diziam-me sempre: que eu tenho um dom para fazer os outros rirem. Assim como eu, muitas outras pessoas podiam estar a sofrer naquele momento e a precisar de alguém que as colocasse para cima”, explica.

Foi assim que decidiu fazer o primeiro vídeo. Começou a pegar em temas do dia a dia, no que via e vivenciava e a retratá-los de uma forma divertida, para fazer rir mas ao mesmo tempo para fazer pensar. “Quando vi que os meus vídeos estavam a ter muitas visualizações e que as pessoas estavam a gostar, decidi continuar … até hoje”.

Conta que sentiu-se, desde o primeiro momento, à vontade em frente à câmara e que sempre gostou dessa sensação. “Aos poucos fui ganhando mais jeito e confiança”.

Etelvina não tem 'papas na língua' e, em jeito de brincadeira, diz tudo o que pensa sobre os mais diversos temas. As relações conjugais são, com frequência, objeto de análise.

“Muitas vezes falo de temas sugeridos por pessoas que me seguem e nem sempre revelam a sua identidade”, conta.

“Pobre com um sorriso é rico de espírito”

Muitos podem não saber o seu nome mas conhecem-na pela “senhora que diz ‘divagar na mundu’”. Etelvina ouvia a expressão em casa, dita pela avó que a utilizava muitas vezes e mais tarde também pelo seu ídolo Tikai. “Adoro essa expressão”, afirma, e hoje é a sua imagem de marca.

Muitas vezes Etelvina dirige-se mais diretamente às mulheres mas não se considera uma feminista nem especial defensora dos seus direitos. “Simplesmente dou a minha opinião sobre situações que não concordo ou não acho corretas. Ninguém sabe mais do que os outros … mas juntos somos mais fortes”.

Diz que recebe muitas mensagens e críticas enviadas de perfis falsos nas redes sociais e, talvez por falar para as mulheres, muitas dessas mensagens chegam de homens que a insultam por acharem que “está a levar as mulheres para maus caminhos”.

Etelvina Lopes tem um canal próprio no Youtube mas muitas vezes os seus vídeos tornam-se virais e são partilhados também por outros canais. Já há vídeos que tenham mais de 17 mil visualizações.

Diz que pensa um dia trabalhar na representação, virada para a comédia, claro. “Adoro ver o meu povo com um sorriso nos lábios porque pobre com um sorriso é rico de espírito”, frisa.

“O meu projeto para o futuro é acima de tudo continuar neste caminho … e ver até onde pode levar-me”, termina.

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