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Elizabete Dias: “A Record Cabo Verde é uma escola na minha vida”

Natural da ilha de Santiago, Elizabete Dias é desde 2009 um dos rostos da televisão Record Cabo Verde, onde é chefe de informação.

Jornalista

Elizabete da Silva Dias nasceu em Ribeira de Engenhos, no concelho de Santa Catarina de Santiago, uma localidade, segundo diz, encravada, distante e que carece de tudo um pouco. Mesmo assim empenhou-se nos estudos e hoje pelo percurso que tem, sente que é uma “referência” na zona que a viu nascer.

A jovem de 30 anos é formada em Ciências da Comunicação, vertente Jornalismo, pela Universidade Jean Piaget, na cidade da Praia, e desde 2009 entra a casa a dentro pela televisão Record Cabo Verde, para trazer as notícias do dia-a-dia.

Jornalismo nunca foi à sua primeira opção. Ao concluir o ensino secundário no Liceu Amílcar Cabral, em Assomada, Elizabete decidiu que queria fazer uma formação na área de Sociologia, mas, quando foi fazer a inscrição, o curso de Ciências de Comunicação chamou-lhe a atenção e mudou de planos.

“Sociologia era uma área que gostaria de fazer uma formação e se calhar trabalhar nela, mas o curso de Ciências de Comunicação fez-me mudar de planos. Havia duas vertentes, Jornalismo e Publicidade, mas como não me identificava com Publicidade, então optei pelo Jornalismo”, diz afirmando que está “feliz e satisfeita” com a escolha que fez.

Em 2006, mudou-se para a cidade da Praia e iniciou a sua formação superior na Universidade Jean Piaget.

Três anos mais tarde, começou a estagiar no antigo Jornal de Cabo Verde. “Infelizmente, pouco tempo depois o jornal fechou. O estágio durou cinco meses, mas foi tempo suficiente para aprender a colocar em prática os conhecimentos ”, conta.

“A Record Cabo Verde é uma escola na minha vida”

Com o encerramento do Jornal de Cabo Verde em 2009, a jovem procurou um estágio na televisão Record Cabo Verde, onde acabou por ser contratada e, desde então, faz parte da “família Record”.

Em conversa com o SAPO, a jornalista diz que já fez de tudo um pouco neste órgão.

Já trabalhou como repórter, apresentadora do jornal ‘CV no Ar’, durante três anos, e atualmente é chefe de informação.

“Não desempenho apenas a função de chefe de informação, sou editora, repórter e faço a agenda informativa. A Record é uma escola na minha vida e a cada dia estou a aprender mais”, afirma com um sorriso.

Segundo a jornalista, a Record Cabo Verde é uma “família” que tem como principal objetivo “ser uma televisão de referência no país”.

“Somos uma equipa pequena e jovem, mas, com humildade, estamos engajados e focados em fazer um trabalho cada dia melhor e com mais credibilidade para satisfazer o nosso público”, diz.

Questionada sobre como é fazer jornalismo televisivo em Cabo Verde, Elizabete diz: “Se formos comparar com outros meios de comunicação como a rádio, os jornais e o jornalismo online é difícil, principalmente no que diz respeito ao acesso às fontes de informação”.

Segundo a jornalista, as fontes em Cabo Verde não gostam de se pronunciar ou de dar a cara sobre determinados temas, principalmente se forem polémicos. “É um constrangimento trabalhar no jornalismo televisivo, mas por outro lado tem as suas vantagens. As imagens têm o poder de sensibilizar as pessoas”.

No que se refere aos desafios nesta área no arquipélago, a jovem diz que as universidades precisam alagar as ofertas formativas nas áreas de especialização.

“Já existem dois mestrados, mas deviam ter em todas as áreas. Um jornalista especializado pode fazer um trabalho mais profundo. O jornalismo para além de informar também tem de formar”.

Recentemente, alguns órgãos de comunicação encerraram as portas no país e vários jornalistas ficaram desempregados. Questionada sobre como vê o jornalismo no arquipélago, Elizabete diz que o mercado está difícil.

“Quando dois ou três órgãos de comunicação encerraram as portas é um caso preocupante e, se calhar, o governo e outras entidades têm de encontrar uma solução para este problema, uma vez que, o jornalismo é um dos pilares da democracia”.

No que tange aos planos para o futuro, a jovem diz que, neste momento, está focada em terminar o mestrado na área de Jornalismo Econômico e Informação Financeira na Universidade de Cabo Verde. Mas num futuro próximo, pretende fazer uma formação na área de Pedagogia, outra paixão, e aperfeiçoar o inglês e francês.

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