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Indira Araújo: “Tenho prazer em fazer rádio”

Há 19 anos que a rádio entrou para a sua vida. Com algumas interrupções pelo meio, este foi sempre o seu meio de comunicação preferencial.

Entrevista com a animadora Indira Araújo

créditos: CM

Indira Araújo é uma das vozes femininas mais conhecidas da rádio a nível nacional. Começou a trabalhar na rádio há 19 anos e já fez de tudo um pouco neste ramo. Hoje assume também a coordenação na RCV+.

A oportunidade para trabalhar na rádio surgiu quando tinha 18 anos e na altura trabalhava num videoclube. Um amigo alertou-a que estavam a recrutar na rádio Praia FM. Foi fazer testes para entrar, acabou por ficar e, mais tarde, fazer uma formação em técnicas de locução. Esteve 10 anos na Praia FM a fazer tanto animação como produção.

“Há 19 anos, havia poucas mulheres a fazer rádio. Lembro-me que havia jovens que iam à Praia FM pedir autógrafos”, recorda, hoje com 36 anos.

Acredita que a mudança de paradigma nos media, em geral, aconteceu ao longo dos anos. “Hoje em dia vês mais mulheres do que homens na comunicação”.

Depois de uma década, trabalhou durante um ano e meio na emissora Record, onde esteve tanto na rádio Crioula FM, como num programa de televisão – “Eco Musical”.

Seguiu-se uma experiência na televisão Tiver, onde além de produção também esteve no sector comercial.

Mas quando em 2009, abriram um concurso para a RCV+, Indira Araújo não teve dúvidas e foi participar. Apesar de a rádio estar à procura de uma voz masculina, a locutora ficou em primeiro lugar e permanece na RCV+ até hoje, onde atualmente além de fazer produção, animação e edição, faz dois programas na rádio, e assume também funções de coordenadora.

A mudança para a RCV+ levou com que adaptasse o seu estilo e a forma de comunicar à nova emissora. “É uma rádio pública, temos outros cuidados e responsabilidades. O nosso objetivo é educar os jovens e queremos ser um exemplo para eles”.

Atualmente é uma das profissionais mais antigas na rádio pública jovem e conhece bem a casa.

“A nossa ambição é sermos ainda mais líderes de audiência e queremos que o sinal da RCV+ chegue a todo Cabo Verde”. Esta última meta, revela, que poderá ser alcançada ainda em 2017.

Paralelamente aceitou o desafio de apresentar na TCV, um novo programa dedicado à música para os mais jovens: “Geração Hip Hop”. Vai estar ao lado de um colega que conhece bem – o DJ Vavá.

As filmagens já começaram, num ambiente bastante descontraído, e mesmo antes do programa estar no ar, diz que têm recebido um feedback bastante positivo, depois do lançamento do “promo” do programa ( estreia do programa aconteceu a 14 de março).

Entretanto, já foi nomeada para os Cabo Verde Music Awards três vezes, sendo que da última vez, em 2016, venceu o galardão na categoria de Melhor Animador de Rádio, um momento de muita emoção para Indira. As nomeações valeram-lhe outros convites quer para dar voz a anúncios publicitários, quer noutras áreas.

Desafios da rádio

Com a voz grave ou aguda, Indira Araújo destaca que mais do que tentar “estilizar” a voz, o importante é tentar ser mais natural possível.

Por ser um meio onde prevalece o direto, a locutora salienta a importância de saber improvisar, falar sem erros, passar bem a mensagem e dar a volta aos erros quando os mesmos acontecem.

“Na rádio somos psicólogos, sociólogos, enfim. Há pessoas ‘que se apaixonam’ pela nossa voz”, e nesses casos, diz, que é preciso ter uma certa sensibilidade com os locutores.

Indira Araújo e Sara Timas
créditos: CM

Há seguidores fiéis que ouvem os mesmos programas a determinada hora, todos os dias, daí que explica sempre aos colegas que é importante começar sempre as emissões na hora certa.

Salienta que o animador não deve ter preferências pessoais na escolha das músicas: “Temos de esquecer o nosso gosto. Temos de dar preferência a todos os artistas e no, nosso caso, damos preferência a Cabo Verde”.

Também tem especial cuidado com a voz, não abre mão do mel de abelha para casos de rouquidão, por exemplo, e não dispensa um lenço para proteger o pescoço.

Daqui a 10 anos

Futuramente ambiciona terminar a sua licenciatura em Sociologia (vertente comunicação), em que lhe faltam apenas duas cadeiras, que com os novos desafios profissionais e pessoais, acabou por ficar em segundo plano.

“Tenho prazer em fazer rádio (…) Quem sabe, daqui a 10 anos, poderei estar a gerir a minha rádio”, diz com um sorriso e acrescenta que já recebeu convites neste sentido mas que na altura não aceitou, talvez por medo.

Gostava também de apostar na formação de jovens que estão a começar na rádio.

Vida pessoal

Casada e mãe de três filhos, dois rapazes e uma menina, Indira Araújo nasceu na cidade da Praia há 36 anos. Diz que os filhos são os seus maiores fãs e que faz de tudo para ser uma mãe presente.

Admite que não é fácil conciliar as várias facetas, principalmente agora, que trabalha em dois períodos. “Como não almoçamos juntos, faço sempre para estarmos todos em família ao jantar”, afirma.

Às vezes, leva os mais novos consigo para a rádio, mas para já não sabe se os filhos vão seguir as suas pegadas, até porque o mais velho quer ser engenheiro.

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