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Xiomara Semedo: “A música é como uma terapia que preciso todos os dias”

A jovem cantora de 20 anos nasceu no seio de uma família de músicos e desde muito cedo mostrou que herdou o dom para a música. Recentemente, a jovem atuou na gala dos CVMA e no Monday Jazz, ambos na cidade da Praia.

Cantora

Xiomara Moreira Semedo tem 20 anos e pode dizer-se que a música corre-lhe nas veias. A jovem é filha de Maria Júlia Semedo Moreira, irmã dos cantores Gil e Vado Semedo.

“A música é igual a um copo de água no nosso dia-a-dia. A minha família é composta por músicos e dançarinos, logo sempre estive rodeada de música. Cada elemento tem a sua especialidade. Gil é um ‘super’ cantor, o Vado é mais para técnica e produção e o Gilyto tem o dom de organizar eventos. Todos os meus tios têm algo a ensinar-me”, salienta.

A jovem nasceu na Holanda e desde pequena começou a frequentar uma escola de música para aperfeiçoar o seu dom. “Sempre frequentei a escola de música. Com 8 anos, comecei a ter aulas de piano clássico e cantava. Aos 12 anos, entrei para o Havo voor Muziek en Dans, um liceu, em Roterdão, que prepara os jovens para a universidade de música”, conta.

Xiomara revelou ao SAPO que de 9 a 11 anos frequentou o Joop Van den ende Theaterproducties, que é um teatro da Disney. “Foi neste teatro que tive a certeza de que queria ser cantora, porque era uma combinação de canto, teatro e dança. Não gostava de dança e teatro, mas adorava cantar”.

Apesar da música estar sempre presente, houve um momento em que Xiomara resolveu fazer uma pausa e seguir outros caminhos. Mudou-se para o arquipélago há quatro anos e começou a fazer um curso de literatura Inglesa na Universidade de Cabo Verde.

“Houve uma altura em que pensava que só sabia fazer música, por isso fiz uma pausa na música para estudar. Queria sentir-me uma pessoa normal. Hoje vejo que a minha voz não é a única coisa que tenho. Foi bom ter dado uma pausa na música, porque agora estou a valorizar mais o meu talento”, afirma e acrescenta que daqui há dois anos pretende ir fazer um mestrado nos EUA ou na Austrália.

Para Xiomara a música é uma forma de se expressar. ”Quando não faço música, sou super agressiva, uma vez que não expresso as minhas emoções. Durante o tempo que deixei de cantar fui uma pessoa agressiva. Para mim a música é como uma terapia que preciso todos os dias”, salienta.

Questionada sobre qual é o estilo musical que a define, a jovem diz sem hesitar: “Soul e R&B”.

“Neste momento, quero combinar um estilo mais europeu com o cabo-verdiano. O meu estilo sempre foi diferente. Sou cabo-verdiana, mas nasci e cresci na Holanda. Sempre inspirei-me na música americana e no meu tio Gil. A sua forma de cantar transmite muita emoção”, diz e acrescenta que quer internacionalizar o som cabo-verdiano.

Xiomara ainda não tem trabalho no mercado, mas diz que, neste momento, está focada na música. “Estou a trabalhar com o meu tio Vado Semedo, que tem um lado mais técnico e de produção. Primeiro quero começar por fazer um cover no YouTube, porque quero criar uma base internacional e só depois lançar as minhas músicas”.

Gil Semedo precisa de inovar

Da lista de artistas e grupos cabo-verdianos que a inspiram constam nomes como Gil Semedo e os Cabo Verde Show.  No que diz respeito ao tio, Xiomara diz que gostava mais do Gil de antigamente, uma vez que, a sua música tinha “mais impacto e transmitia mais emoções”.

“Não acho o meu tio seja um bom cantor, mas sim um bom ‘performer’”, mas salienta que “tio abriu as portas para muitos jovens do país e colocou o nome de Cabo Verde no mapa”.

Segundo Xiomara, Gil Semedo precisa “inovar”, “criar” e “mudar de estilo”. “Todos querem copiar o Gil de antigamente, mas hoje em dia ele não está a inovar”, diz.

Ildo Lobo é outro artista cabo-verdiano que inspira a artista. “Para mim, Ildo Lobo é um dos melhores cantores de Cabo Verde. A sua voz ‘toca-me’. Era alguém que colocava o seu caráter na música”.

Segundo Xiomara, em Cabo Verde há muitos talentos, mas os artistas não valorizam os seus trabalhos. “Aqui no arquipélago as pessoas não valorizam os artistas que não são tradicionais. É preciso ter respeito e mais profissionalismo. Somos todos músicos e não importa o estilo”, conclui.

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