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Na sua estreia em Cabo Verde, Maria Gadú fecha em grande primeiro dia do KJF

A cantora brasileira atua no sábado, 15, em Mindelo num show gratuito.

créditos: CM

A primeira noite do Kriol Jazz Festival, KJF, contou com vários pontos altos. O destaque vai para o encerramento que ficou a cargo de uma das mais aguardadas presenças do certame – a brasileira Maria Gadú.

A noite começou por volta das 21h00 com um tributo ao músico Humbertona, o homenageado da IX edição do Kriol Jazz Festival. Depois de um vídeo com vários testemunhos de artistas e familiares do homenageado, foi a vez de sete músicos subirem ao palco para honrar o músico presente na plateia e visivelmente emocionado.

Humbertona recebeu igualmente um retrato das mãos de Leomar (Leontina Ribeiro), pintora que tem patente, no âmbito do KJF 2017, uma exposição intitulada “As cores do Jazz”.

A nível musical, a noite contou com outros momentos marcantes. O primeiro foi a atuação de Grace Évora e banda, composta por nomes bem conhecidos do público como Johnny Fonseca, Djoy Delgado, Danny Alves, do Splash. O cantor e baterista interpretou vários temas que marcaram a sua carreira, não ficando de fora temas como “Se Deus Quiser”, “Lolita”, entre outros como coladeiras de Manuel d’Novas. O espanhol Antonio Serrano interpretou dois temas com a sua gaita ao lado do aritsta cabo-verdiano.

No final, o cantor mostrou-se realizado com a atuação no festival e salientou a importância de ter a sua banda consigo em palco. Grace Évora enfatizou o facto de que a banda marcou presença no certame por “amor à música e a Cabo Verde” e que foi com a ajuda do cachet disponibilizado para si que o cantor arcou com os custos da viagem dos restantes elementos.

Já o esperado novo trabalho de Grace deve sair em breve no mercado, com previsão para o verão. O trabalho em homenagem aos 30 anos de carreira está numa fase final na mistura e vai ter 30 músicas inéditas. O artista afirmou estar a aguardar parceiros para o novo CD.

Seguiu-se a atuação de Leyla McCalla, uma artista americana de ascendência hatiana, que atuou em trio e tocou três instrumentos de cordas em palco. A cantora interpretou temas em inglês e em crioulo do Haiti e ainda tentou interagir com o público em crioulo de Cabo Verde.

Num registo maioritariamente “folk”, a artista de New Orleans interpretou igualmente o tema que dá nome ao seu último álbum “A Day for the Hunter, A Day for the Prayer”. Já no final, McCalla, que já viveu no Gana, salientou as semelhanças do Haiti com Cabo Verde e mostrou desejo de voltar ao país.

O guitarrista francês Sylvain Luc trouxe sonoridades mais “jazzísticas” juntamente com outros dois companheiros - André Ceccarelli, na bateria, e Thomas Bramerie, no contrabaixo. Um dos destaques da atuação foi a interpretação do tema “Sodad”.

O músico que só chegou a Cabo Verde poucas horas antes do show afirmou que foi tudo muito rápido mas gostou da receção da plateia, apesar do trio estar habituado a tocar noutro tipo de ambiente. “O público é um pouco barulhento o que nos levou a tocar de forma diferente”, explicou com boa-disposição.

“Até que enfim este dia chegou”

Uma das presenças mais esperadas da noite foi a brasileira Maria Gadú a quem coube fazer o encerramento do primeiro dia do certame. “Até que enfim este dia chegou”, afirmou a cantora que subiu ao palco por volta da 01h30 da manhã.

Com uma voz forte, a artista e a sua banda de três elementos tocaram e cantaram vários temas do último álbum “Guelã”, entre os quais “Ela”, um tema que antes revelou ser em homenagem à amiga e também cantora Mayra Andrade.

A artista cabo-verdiana partilhou o palco com a amiga, ambas se conhecem há cerca de 7 anos, e juntas interpretaram quatro temas, um dos quais já no “encore” final. Dois dos temas foram em crioulo - “Ilha de Santiago” e “Tempo ki bai”. As duas arrancaram muitos aplausos, confira o vídeo aqui.

“Ne me quite pas” e “Lounge” foram alguns dos temas que também caíram no agrado do público que se manteve até ao fim para ouvir “Shimbalaiê”, já perto das 03h00.

“Há muito tempo que a gente tenta esta vinda”, revelou Maria Gadú em entrevista à imprensa.

“Era importante que o público cabo-verdiano pudesse ver e ouvir a Maria, que é uma artista muito conhecido cá em Cabo Verde e era importante que o meu povo pudesse partilhar da presença bonita e talentosa dela”, afirmou por sua vez Mayra Andrade.

Apesar de terem um tema composto em conjunto, intitulado “Sakedu”, as duas cantoras não chegaram a gravar a música e gravar juntas é um sonho que ainda não foi realizado.

As duas atuam no sábado, dia 15, num show gratuito na Rua de Lisboa, em São Vicente. “Acho que vai ser memorável”, antecipou Mayra.

A noite do Kriol Jazz Festival não terminou no Platô, mas sim na Kebra Canela ao som de Jaixi ft. Boaz e ainda o DJ Mo Laudi.

No dia 15 de abril, ao palco vão subir artistas como Elida Almeida, a banda Spyro Gyra, Roberto Fonseca e o encerramento vai ficar ao cargo de Pat Thhomas e Kwashibu Area Band.

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