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Lura: "Hoje canto um país normal, com coisas muito boas e menos boas”

A cantora cabo-verdiana marcou presença no Festival de Músicas do Mundo (FMM), em Sines, Portugal, este sábado, 29.

Lura, álbum "Herança" | Fotos@N’Krumah Lawson-Daku

Afastada uns tempos, por causa da maternidade, Lura adiou a promoção do último trabalho, “Herança”, mas já está a preparar o próximo, procurando “um disco mais fresco”, que “ainda está em criação”.

A comunidade cabo-verdiana da região mobilizou-se para o concerto que abriu o programa do último dia da 19.ª edição do FMM.

“Não tinha ideia de que a comunidade [cabo-verdiana] fosse tão grande e, de facto, estavam aqui todos e foi muito bom. Vi as bandeiras e os panos em bandeira de Cabo Verde. Foi ótimo, deram também aquele fulgor cabo-verdiano, lembraram temas que são mais cantados pelos cabo-verdianos, aquelas histórias do dia a dia que, se calhar, só o cabo-verdiano saberá perceber melhor”, observou Lura.

“O público faz muito parte do concerto e este público ajudou imenso ao concerto, estiveram desde o princípio ao fim comigo”, elogiou. O rapper Hélio Batalha também esteve no palco a convite de Lura.

Nascida em Lisboa, Lura só visitou Cabo Verde quando tinha 21 anos, mas vive há três anos no país africano, o que “faz toda a diferença”. Deixou de cantar apenas “um país romântico” e envolto na morabeza (sentimento tipicamente cabo-verdiano, difícil de traduzir, como a saudade).

Hoje, fala “com mais conhecimento de causa”, cantando um “país normal, com coisas muito boas e menos boas”, distingue, dando o exemplo da canção “Maria Di Lida”, que resulta da “noção mais clara do que é ser mulher, dessa força e responsabilidade da mulher na sociedade”.

Atualizado em 31-07-2017

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