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Carlos Lopes: De Santiago para o Conservatório de Paris

Quando andava no liceu decidiu que queria ser artista. Aos 14 anos formou uma banda e agora aos 29 estuda no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris. Carlos Lopes já gravou o álbum de estreia “Kanta pa Skece” e pretende lança-lo no mercado ainda em 2014.

Natural de Santiago, Picos, Carlos Lopes cresceu com os avós até aos 10 anos. Na altura, o avô ofereceu-lhe uma cabra ainda bebé. Carlos confessa que não tinha muita paciência para todos os dias alimentar o bicho. Para passar o tempo, começou a cantar quando ia pastorear a cabra. “Cantava para passar o tempo, para esquecer”.

O que Carlos não sabia é que “Kanta pa skece” viria a ser o nome do seu álbum de estreia. O CD conta com 10 faixas, todas em crioulo e originais. O álbum contou com a produção de Matthieu Eskenazi, produtor francês que já trabalhou com Bino Barros.

O artista pretende lançar o álbum no mercado ainda em 2014, primeiro em Paris, depois em Nice, seguindo-se Cabo Verde. O trabalho foi financiado pelo jovem músico que contou com o apoio de amigos.

Mas antes de chegar a este CD de música tradicional cabo-verdiana, Carlos Lopes aventurou-se noutras águas. Emigrou para França com 10 anos, onde foi ter dos pais que já eram emigrantes em Nice. Aos 14 anos começou por formar um grupo de RnB intitulado “Apocalipse”. Dois anos depois, iniciou aulas de canto e aos 18 entrou para o conservatório de música para continuar as aulas de voz. Aos 22 anos, começou a aprender piano na mesma instituição.

Em 2011, Carlos mudou-se para Paris. O motivo? “Por causa do Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris ”, explica o jovem e acrescenta que na capital francesa há mais artistas ligados aos “world music”. Actualmente, está no final da formação vocal o que lhe permite também dar aulas na mesma instituição. O músico diz que vai continuar a ter aulas de piano.

Um ano mais tarde, Carlos participou no casting de França do programa televisivo “Estrela Pop”, evento esse que o músico chegou a vencer com o tema “Mamai” que actualmente faz parte do álbum “Kanta pa skece”. O artista lamenta que “nunca mais soube do concurso” que prometia uma tournée por Cabo Verde aos vencedores da Europa.

Contudo, a ideia de fazer um álbum em crioulo surgiu há quatro anos quando veio a Cabo Verde de férias e começou a compor em crioulo. “Posso cantar noutra língua mas não sinto a mesma coisa”, confessa o artista que chegou a gravar um CD soul e RnB, em francês, mas que nunca conheceu a luz do dia. Em Paris, Carlos conheceu Matthieu Eskenazi que viria a ser “o primeiro a apoiar” o músico neste projeto. O álbum demorou cerca de um ano e meio a ser produzido.

Segundo Carlos, a música cabo-verdiana está sempre presente no seu dia-a-dia. “Oiço música em crioulo todos os dias antes de começar a estudar”, afirma e destaca as composições de Norberto Tavares. Para além deste artista, indica outras referências como Mário Lúcio, Tcheka, Pantera, Mayra Andrade e Bino Barros, com quem já partilhou o palco.

Actualmente, está a gravar o videoclipe do tema “Senpre faita un arguen”, faixa nº 4 do CD, uma música que fala da necessidade de ter uma pessoa especial para partilhar o dia-a-dia.

De férias em Cabo Verde, Carlos promete regressar ainda em 2014 para promover “Kanta pa skece”. Para já o próximo show será em Marraquexe, a 30 de Agosto.

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