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AME 2017: Público rendeu-se aos Tubarões no terceiro dia do certame

Vários artistas cabo-verdianos e internacionais atuaram na terceira noite do Atlantic Music Expo.

créditos: CM

Ao terceiro dia do Atlantic Music Expo, AME, o mítico grupo Os Tubarões conquistou a plateia que encheu a rua Pedonal. Num total de nove atuações, os artistas cabo-verdianos estiveram em maioria.

A 12 de abril, o Atlantic Music Expo, AME, já vai no seu terceiro dia e os vários eventos no âmbito do certame sucedem-se no centro da cidade da Praia.

Paralelamente aos workshops diversos, uma feira com cerca de 70 stands tem lugar na Praça Alexandre Albuquerque. Estão representados no certame artesãos cabo-verdianos, produtoras musicais, um café, quase todos os municípios nacionais, entre outros.

Depois de dois swhocases de manhã o projeto Coladera e o maiense Adé Costa, as atuações de final do dia começaram com o rapper da Praia BigZPatronato no palco da Praça Luís de Camões, que trouxe rimas com forte críticas sociais ao público presente.

No final da sua atuação, o jovem artista afirmou que esteve um ano à espera deste momento e depois do qual espera que surjam convites para atuar, principalmente lá fora. BigZ adiantou ainda que em maio deve sair o seu primeiro trabalho – “Nova Era”.

Seguiram-se, desta vez na Rua Pedonal, as batucadeiras de Tradison di Terra, um grupo do bairro de Tira-Chapéu que existe há 14 anos. Perante os aplausos dos presentes, as batucadeiras que contam nas suas fileiras com dois rapazes, interpretaram vários temas, um dos quais dedicado ao ministro da cultura.

A líder do grupo, Armelinda Semedo ( Fika), afirmou ao SAPO que a estreia no AME correu bem e que deste certame as batucadeiras esperam que saiam propostas para atuações lá fora e, quem sabe, um patrocínio para o segundo CD/DVD do grupo que aguarda financiamento desde 2016.

E porque o AME proporciona encontros musicais inéditos, no backstage, a produtora galega Uxía Senlle juntou-se ao grupo ara um improviso de “batuko” com sotaque espanhol.

Novamente na Praça Luís de Camões, atuava a dupla da ilha da Reunião Do Moon. Ao som da música eletrónica e de ritmos mais africanos, os dois artistas animaram o público presente. “Let’s go the moon” (Vamos até à lua), lançaram o repto aos presentes.

Sem tempo a perder, os shows sucederam-se a bom ritmo entre os dois palcos. A cantora de origem senegalesa Awa Ly conquistou os presentes com a sua versatilidade. Ora cantou em inglês, ora em italiano.

Um dos pontos altos da atuação foi o tema “Here”, escrito pela artista em 2013 em memória às vítimas de um naufrágio no Mediterrâneo. Em entrevista, a cantora lamentou que a situação dos migrantes ainda não tenha melhorias. Awa Ly afirmou ainda que não hesitou perante o convite para atuar no AME até porque considera o evento “uma montra no meio do Atlântico”.

Dos sons mais de jazz, os ritmos mudaram para o hip hop e rap, com o mindelense Kiddye Bonz, que atuou perante uma legião de fãs, na sua maioria jovens. A interpretação do tema “Cabo Verde lá fora” foi um dos momentos altos do show.

O rapper desceu do palco para cumprimentar a plateia. “Foi espetacular. Este foi mais um passo para mim e para minha carreira”, declarou Kiddye no final que adiantou ainda que do AME deve sair uma colaboração com outro artista, mas que para já é surpresa.

A grande atração da noite foi a banda Os Tubarões. O grupo que surgiu ainda na década de 1970 mostrou que ainda dá cartas em cima do palco. Numa interpretação de vários sucessos da banda não faltaram os habituais “Tunuca”, “Djonsinho Cabral” e “Tabanca”, para alegria dos presentes.

A insistência do público foi tanta que o grupo ficou para além do tempo previsto em palco e fez um “encore” prolongado. O vocalista Albertino Évora afirmou que esta atuação é uma consolidação do regresso do grupo. O artista adiantou ainda que a banda está a trabalhar num novo trabalho com temas originais mas não precisou uma data para o lançamento, deixando contudo em aberto se o CD será lançado ainda em 2017.

O público ainda se dirigia para a Praça Luís de Camões quando os Gato Preto, nomeadamente a vocalista e performer Gata Misteriosa acompanhada por Lee Bass e banda, começaram a sua atuação recheada de sons futuristas da música eletrónica mas com um toque de instrumentos africanos como a tumba.

A carismática Gata Misteriosa não deixou os presentes indiferentes com a sua energia em palco. Durante a última atuação, toda a banda e as bailarinas desceram para a plateia para dançar com o público. Em declarações à imprensa, a vocalista do grupo mostrou-se muito feliz com a estreia do grupo, que também faz do projeto Lusafro, em Cabo Verde.

De novo na Rua Pedonal, o congolês Jocelyn Balu e a banda “Aingles de La Revolte” apostaram em ritmos tradicionais da República Democrática do Congo para a sua apresentação no AME. O artista cantou e dançou de forma incessante, nesta que foi a sua primeira atuação em Cabo Verde.

“Partilhamos um bom momento com o público”, concluiu o cantor que espera voltar ao país para novas atuações.

A noite no Platô terminou novamente com sons de Cabo Verde, desta vez na voz de Zé Rui de Pina e do seu violão. O cantor de Achada S. António esteve em palco acompanhado pela banda e apesar do avançar da hora, já passava das 00h00, a plateia mostrou-se entusiasmada com a atuação.

A noite prosseguiu na Kebra Canela ao som da música eletrónica com os DJ Ibaaku, do Senegal, e DJ Pensador, de Cabo Verde.

O AME termina no dia 13, quinta-feira, com mais cinco atuações na Rua Pedonal e ainda o encerramento oficial na Praça Luís de Camões com outras cinco performances, entre as quais a cabo-verdiana Lura.

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