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AME 2017: Governo e produtores reconhecem dificuldades na exportação da música e de artistas nacionais

Ministro lamentou ainda o facto de o arquipélago ter poucos produtores musicais, o que faz com que muitos “bons artistas” fiquem de fora do mercado musical.

ministro da Cultura

créditos: Expresso das Ilhas

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas e produtores do setor da música reconheceram hoje, na Cidade da Praia, que o país tem tido dificuldades na exportação da música e de artistas nacionais.

“Temos que encontrar mais financiamentos e recursos para a exportação da música e dos artistas cabo-verdianos”, defendeu o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, em declarações à imprensa após o ato de “boas-vindas” aos participantes da V edição Atlantic Music Expo (AME-CV) e conferências com produtores musicais cabo-verdianos.

O governante lembrou que o seu ministério tem um Gabinete para Exportação da Cultura cabo-verdiana em todos os seus aspetos, literatura, música e a dança, mas no seu entender há que tomar consciência de que “mais do que criar gabinetes é preciso dota-los de recursos”.

Na perspetiva de Abraão Vicente, o financiamento deve-se ser feito de duas maneiras, ou seja, com o recurso do Estado que passa pela subsidiação para internacionalização da música e cultura cabo-verdiana, e também fazer com que as empresas acreditem no projeto e façam parte dele.

Tendo em conta que o Ministério da Cultura não tem dado respostas a todos os pedidos solicitados para participações dos artistas e produtoras nacionais em eventos musicais a nível internacional, fez saber que criou o edital para apoiá-los no âmbito do projeto “Criar Cabo Verde”.

Direitos autorais foi também um outro ponto abordado nesta conferência que contou com produtores como Gugas Veiga, Banzi Pires, Djô da Silva e Paulo Bettencourt, tendo o ministro afirmado que esse dispositivo legal pode render centenas de milhares de contos aos autores cabo-verdianos.

“Sem a compreensão total dos mecanismos de cobrança de direitos autorais, isto é, que não é para pagar custos de funcionamento, mas sim para distribuir aos autores, não iremos lá”, advertiu.

Por seu turno, o produtor musical Gugas Veiga, que partilha da mesma opinião do Governo concernente às dificuldades da exportação da música e de artistas nacionais no mercado internacional, apontou o facto de Cabo Verde ser ilhas como uma das “maiores dificuldades”, por acarretar muitas despesas em viagens.

Lamentou ainda o facto de o arquipélago ter poucos produtores musicais, o que faz com que muitos “bons artistas” fiquem de fora do mercado musical, por isso almeja que os produtores internacionais possam também descobrir talentos no AME para que possam dar-lhes oportunidades.

Sobre os direitos autorais, este agente musical diz que esta situação “desencoraja” os autores nacionais, que só têm os seus direitos salvaguardados fazendo parte de sociedades internacionais.

“Nós exortamos o Governo que tem tutela nessa parte, para continuar a trabalhar em vista a resolver esta situação, e nós da nossa parte tudo vamos fazer para ajudar, estando dentro de uma organização que defende os direitos autorais da música”, disse o produtor.

Para hoje, ainda haverá outros ateliês, mesa redonda e conferências no Palácio da Cultural Ildo Lobo, considerado “coração do AME”.

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