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Segundo dia do AME: Dois palcos e ritmos para todos os gostos dinamizam o Plateau

Depois da noite de abertura da V edição do Atlantic Music Expo (AME), o certame seguiu na noite desta terça-feira, 11, no seu segundo dia, desta feita com dois palcos e ritmos do mundo para todos os gostos.

créditos: Cláudia Marques

Entre a Praça Luís de Camões e a Rua Pedonal ouviu-se morna, coladeira, reggae, soul, afro music, jazz, flamengo e outros tantos ritmos numa noite quente que atraiu centenas de pessoas ao centro da cidade.

Mas os concertos do segundo dia da feira começaram mais cedo, no Palácio da Cultura Ildo Lobo, com o Day Case da cantora Lucibela. “Foi muito bom participar no AME, tive um feedback muito positivo por parte das pessoas que aplaudiram e elogiaram. Espero que deste show possam sair coisas positivas. Do que eu já consegui ver e vivênciar, tem sido muito bom. Música e alegria, independentemente de ser de Cabo Verde ou não, encontro com músicos, troca de experiências, muito bom mesmo”, contou ao SAPO.

Mais ao final do dia, por volta das 18h, o pontapé de saída foi dado pelo jovem artista Hilário Silva que, acompanhado da sua banda, fez a apresentação do primeiro trabalho discográfico “Boas Palavras”.

“Com fé em Deus muitas portas estão a abrir-se. Esta é uma oportunidade de apresentar o meu trabalho, tudo o que produzimos, ensaiámos, todo o tempo que passámos em estúdio … o feedback do público tem sido muito positivo. Dizem que gostam das minhas misturas, da forma como penso e componho. E é isso … tentar chegar ao maior número de pessoas possível e dinamizar a minha carreira”, disse no final em entrevista.

O palco da Praça Luís de Camões esteve neste segundo dia reservado exclusivamente a apresentações dos artistas do projeto LusAfro, divididos em quatro "sessions". O LusAfro é um projeto que realiza workshops, intercâmbios profissionais, concertos e promove colaborações entre artistas africanos lusófonos com artistas alemães.

Ao todo foram dezanove artistas da LusAfro a subir ao palco ao longo da noite, oito dos quais cabo-verdianos: Alberto Koenig, Batchart, Ceuzany, Dino d'Santiago, Fattú Djakité, Hélio Batalha, Nissah Barbosa e Rapaz 100 Juiz.

Na Pedonal o público pôde ainda escutar ritmos tradicionais do norte da África, num mix com flamenco e rumba cigana com o grupo da Argélia, Labess, expressão que significa em árabe “tudo está bem”. Fizeram as delícias do público estrangeiro presente mas também dos cabo-verdianos que vibraram especialmente nos momentos de maior improvisação entre os elementos da banda.

Nedjim Bouizzoul, o vocalista, mostrou-se muito satisfeito no final do concerto. “Estou muito contente, foi genial … uma energia muito bonita”.

Fantcha, que lançou recentemente o álbum “Nôs Caminhada”, foi a artista que se seguiu num concerto onde interpretou essencialmente mornas e coladeiras não só do seu mais novo trabalho como também alguns clássicos que ficaram conhecidos na voz de Cesária Évora, homenageada pela cantora.

“Eu não podia estar mais feliz com este concerto. Estou feliz por estar ‘em casa’, a apresentar o tributo que fiz à Cesária. É especial para mim não só como artista mas como pessoa. A Cesária foi a minha mentora, uma espécie de ‘mãe espiritual’ para mim. Vivemos muitos momentos e hoje senti que voltei aos anos 80 onde catávamos noites e noites de mornas e coladeiras nas andanças da cidade do Mindelo. Saí muito emocionada. Há muitos anos que não fazia um espetáculo destes na Praia e senti que todos que assistiram estavam comigo. Levo no coração este carinho da ilha de Santiago e de Cabo Verde”, considerou no final.

A artista fechou a sua atuação junto do público com o tema “Sodade”.

Tribute 'Birdie' Mboweni, artista da África do Sul, cantou e encantou com os seus temas numa fusão entre o soul, música tradicional e todas as suas influências. A cantora, que atuou no AME no dia do seu aniversário, frisou o quão especial foi para si o concerto na cidade da Praia uma vez que representou a primeira apresentação da Deluxe Edition do seu álbum.

“Estou muito contente. Por ser a primeira vez aqui não sabia o que esperar, se as pessoas iriam-se embora ao fim da primeira ou da segunda música …mas foi espetacular”, contou sorridente.

Tribute deu um salto durante a sua atuação até o Brasil com o tema “Mais que nada” mas também homenageou Tito Paris com a colaboração vibrante em palco de Ceuzany.

O segundo dia do AME no Plateau ficou completo com o show de Wilson Silva, um jovem que o público está habituado a ver apenas no baixo a acompanhar outros artistas, mas que agora lança-se a solo com banda. O cantor subiu ao palco quando já passava da meia-noite.

Para os mais resistentes a noite prolongou-se na Kebra Kanela com a atuação do Dj Aries do Gana.

O AME continua esta quarta-feira, 12, com grupos com Tradison di Terra, Os Tubarões, Kiddye Bonz e Awa Ly.

Veja como foram as atuações:

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