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Kriol Jazz Festival: IX edição chega ao fim ao compasso do lendário Pat Thomas

A IX edição do Kriol Jazz Festival chegou este sábado, 15, ao fim com o ganês Pat Thomas que contagiou o público com o ritmo frenético da sua música ao estilo highlife. Pelo mesmo palco passaram ainda, neste último dia de certame, Elida Almeida (Cabo Verde), Spyro Gyra (USA) e Roberto Fonseca Quartet (Cuba).

créditos: Cláudia Marques | SAPO

Foi cerca de uma hora e meia de ritmo e muita ginga ao som de Pat Thomas, considerado uma lenda viva da música africana, acompanhado pela Kwashibu Area Band. Foram os responsáveis por fechar o palco nesta edição e colocaram todos, ou pelo menos muitos dos mais resistentes, a dançar.

Um repertório enérgico que trouxe à capital o cheiro de África em forma de música e que só terminou quando poucos minutos faltavam para as três horas. Em palco, o artista fez questão de verbalizar a satisfação do grupo por estarem em Cabo Verde e garante que nunca irão esquecer o país e o público presente. “I need more” (preciso de mais) dizia o refrão do último tema mas também o público mais entusiástico que não quis arredar pé.

Mas a noite de música começou por volta das 20 horas, mais cedo do que o previsto, com a atuação de Jaixi feat. Boaz que estavam previstos para a “After Hours” do primeiro dia do Festival.

Elida Almeida, que já constou do cartaz do Kriol Jazz em 2015 onde fez a apresentação do seu primeiro álbum no Kriol Zona, esteve de volta nesta nona edição do certame desta feita para atuar no palco principal.

A jovem artista começou e terminou o concerto da mesma forma, a homenagear o seu berço, Santa Cruz. Abriu com “Nhu Santiago” do álbum “Ora doci, Ora Margos” e arrematou com  “Bersu d’Oru”, um dos temas do seu novo EP “Djunta Kudjer”.

“Tive um público bastante caloroso, foi um momento muito bom. Neste último ano fiz muitas viagens, a descobrir muitos países, estilos musicais diferentes e instrumentos sobretudo, e tudo está refletido claramente neste meu novo trabalho, com muita presença de África. É como se fosse um resumo de tudo o que tem sido esta descoberta”, contou no final.

Spyro Gyra, dos Estados Unidos, levaram Pop Jazz ao Plateau e cativaram o público, bastante atento, que aplaudiu do início ao fim. Os mais de 40 anos de estrada que o grupo já leva revelaram-se numa imensa cumplicidade e admiração mútua em palco por parte dos cinco elementos.

No fim da atuação um dos elementos elogiou o público presente mas também o país e as suas gentes.

A última noite de Kriol Jazz fez-se igualmente de ritmos latinos em perfeita harmonia com o jazz pelas mãos, ao piano, do cubano Roberto Fonseca. O músico sublinhou, em entrevista, que se sentia em casa, que estav feliz por estar em Cabo Verde e que com certeza vai querer regressar em breve.

Roberto Fonseca Quartet homenageou com um tema as mulheres cabo-verdianas.

“… é difícil fazer o festival Kriol Jazz em Cabo Verde”, Djô da Silva

Segundo Djô da Silva, a organização do festival está contente com o feedback do público que gostou da programação desta nona edição.

Para a sexta-feira, 14, garante que foram vendidos 1600 bilhetes o que a somar aos convidados perfaz cerca de 2200 pessoas no recinto no primeiro dia. “É a primeira vez que temos tantas pessoas assim. No geral costumamos ter uma média de 1700”, explica satisfeito.

Ainda assim diz que “continua a ser difícil” pôr de pé cada edição do festival. “Neste dois últimos anos conseguimos equilibrar e este ano, se tudo correr bem, podemos vir a entrar em benefic mas é difícil fazer o festival Kriol Jazz em Cabo Verde porque não há estabilidade de patrocínios. Enquanto não chegarmos a um número de patrocinadores que tenham confiança no festival, que assinem para vários anos, para não estarmos preocupados com o orçamento, torna-se difícil sustentar o festival”, frisa.

Para décima edição promete manter a mesma linha do festival mas assegura que a ambição é que este “seja ainda mais forte”. “Queremos começar a programação extremamente cedo precisamente para ir buscar artistas de alto nível e se, Deus quiser, surpreenderemos”.

Nomes não faltam para as próximas edições já que, segundo Djô da Silva, as pessoas já o param na rua para deixar sugestões de artistas que gostariam de ver no palco da Pracinha da Escola Grande no Plateau.

Veja como foram as atuações:

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