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Em noite fria, Nelson Freitas aqueceu Lisboa e disse adeus a mais um tour

Do zouk à kizomba, cantando em inglês, português ou crioulo. O segredo não está num determinado estilo ou língua, mas na forma como Nelson Freitas tudo juntou, conquistando, independentemente da cor da pele, género ou idade, países como Portugal, Cabo Verde e Angola. No domingo passado, no Campo Pequeno de Lisboa, o cantor fechou a turné de Verão em grande.

Nelson Freitas tem um dedo que adivinha, pois na noite que marcou o fim da turné de Verão do artista de ascendência cabo-verdiana, a «Ride or Die», a chuva e o frio voltaram em força a Lisboa. Lá dentro, na sala de espetáculos do Campo Pequeno, a atmosfera era outra, à medida que o zouk das Antilhas, o R&B, o soul, o hip hop e a kizomba se misturavam, fazendo aquecer músicos, bailarinos e público. Mas, afinal, quem pagou entre 20 e 28 euros para ouvir o nome sensação do momento? Não há distinção quanto à nacionalidade, cor da pele, género ou idade. São muitos e diversos os que querem ver ao vivo o homem que dominou Portugal com os ritmos afro.

Aprimeira parte do espetáculo esteve a cargo do soul de Laise Sanches, cantora que lançou este ano o single «Sempri Djunto», e cuja voz se fez acompanhar pelos acordes do guitarrista Johnny Fonseca, a que se seguiu o muito agitado hip hop do grupo Zona 5, a sobremesa final antes do tão aguardado prato principal.

Em abril deste ano, em entrevista ao jornal português Público, Nelson Freitas admite que as suas “batidas” convidam as pessoas a “estar próximas das damas”, ou seja, são canções de amor feitas de sensualidade, coisa a que não foge o seu último álbum, «Four» (sucede a «Magic», «My Life» e «Elevate»), cujos temas foram sendo apresentados ao longo da tour que agora findou. No entanto, existe uma música no seu último trabalho que “remete para o estado do mundo”, como então explicou, um tom mais politizado para destoar do resto. Foi precisamente com ela, «Beautiful Lie», que Nelson Freitas deu início a mais um serão de sons e ritmos afro.

O que se seguiu, como que a dar resposta as problemas do mundo, foram sons e mexidas que convidam ao amor. Carnal ou espiritual, para o cantor nascido na Holanda tanto faz, isto enquanto grita “quem está apaixonado aqui?”. O público, ou pelo menos parte dele, responde-lhe, seja a dançar com o parceiro do lado ou a beijá-lo.

Temas de antigos álbuns não faltaram, com o invariável «Bom Tem Mel», um dos maiores êxitos de Nelson Freitas, a levar o Campo Pequeno ao êxtase. Mas acabou por ser «Miúda Linda», presente no seu último trabalho, a arrebatar os fãs. Tanto assim foi que a música teve direito a bis no final do espetáculo.

Foram cinco os convidados, sendo que um deles, muito especial, era surpresa. Loony Johnson, Mikkel Solnado, Mayra Andrade e Richie Campbell partilharam o palco, com temas, incluídos no álbum «Four», que vão beber às línguas inglesa, portuguesa e crioula. Não é para estranhar, Nelson Freitas, filho de pais cabo-verdianos, nasceu, cresceu e viveu em Roterdão, e é em inglês que, por exemplo, comunica com os elementos holandeses da banda que o acompanham.

Sara Tavares, cuja presença foi mantida em segredo até ao último segundo, foi a cereja em cima do bolo de uma noite quase perfeita. Só não o foi porque, lá fora, a chuva teimava em arrefecer os ânimos de quem saiu em brasa da sala de espectáculos.

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